Especialistas apontam principais avanços científicos relacionados à Covid-19

  • outubro/2020
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avanços científicos da Covid-19

Sete meses depois da chegada da pandemia no Brasil, é possível observar muitos avanços científicos – impulsionados justamente pela emergência sanitária. São tecnologias, descobertas e estratégias de saúde que tendem a permanecer. A colaboração entre pesquisadores e a prevenção do contágio são as principais lições da pandemia.

Avanços imediatos para segurança sanitária

Para Lucile Maria Floeter-Winter, diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a agilidade no desenvolvimento de soluções foi necessária para salvar vidas. Muitas vezes, porém, as praxes de segurança foram abreviadas. “Não acredito que os protocolos clássicos sejam abandonados no futuro”, diz.

Entre os avanços de longo prazo na área da saúde está a descoberta que envolve as células T.  Exemplo disso foi o caso de um brasileiro recuperado de um linfoma, em 2019, através da terapia gênica com o método CARTCell. O método induz os linfócitos T a reconhecer células cancerígenas e combatê-las.

Agora, enquanto a maioria dos estudos sobre imunidade contra coronavírus envolvem apenas anticorpos, pesquisas mostram que as células T também podem oferecer resposta imunológica ao Sars-Cov-2. Não à toa, uma das vacinas mais promissoras é a da Universidade de Oxford, em parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que induziu resposta imunológica dos dois protetores do organismo: anticorpos e células T.

A tecnologia, tão essencial para a comunicação durante o isolamento, também possibilitou a regulamentação da telemedicina. Segundo o governo, a consulta remota é temporária – mas há especialistas que acreditam que, após a chegada da tecnologia 5G, o formato possa se tornar definitivo.

Para Lessandra Michelin diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), houve melhorias também nos equipamentos hospitalares e na higienização dos espaços.  “As empresas rapidamente desenvolveram tecidos impermeabilizados, otimizaram as face shields e óculos de proteção. Tudo isso vai ficar [depois da pandemia]. Assim como a higienização por ozônio e lâmpadas esterelizantes UVA, por exemplo”, considera.

Colaboração para pesquisa

A pandemia impôs emergências sanitárias que motivaram a colaboração entre universidades e pesquisadores pelo mundo. Na busca por uma vacina eficiente, farmacêuticas se uniram a entidades, governos e universidades de vários países a fim de viabilizar um imunizante a tempo de conter o avanço da Covid-19.

Floeter-Winter, da SBPC, considera que “será muito bom se essa comunicação permanecer no futuro, para todas as atividades científicas”. Para ela, esse processo pode aprimorar os dados de ciência. “A avaliação por pares é a melhor forma de garantir a qualidade, evitando estudos mal feitos que levam a conclusões erradas e aí sim, a atrasos relevantes e perigosos.”

Michelin, da SBI, também aponta a colaboração como uma das principais iniciativas de longo prazo. “Nós [da SBI] elaboramos documentos e diretriz importantes durante a pandemia junto de outras doze sociedades científicas. Acredito sim que isso vá permanecer e fortalecerá a união de especialidades pelo bem do paciente.”

Além disso, a partir do compartilhamento de dados, cientistas do mundo todo puderam rastrear o RNA do vírus e elaborar estratégias de contenção. Assim, foi possível estabelecer protocolos sanitários padronizados, como a utilização de álcool em gel, lavagem das mãos, uso de máscara e distanciamento social.

Prevenção do contágio

A prevenção através do uso de equipamentos de proteção individuais foi o um dos dilemas da pandemia, cercado de fake news e polêmicas. Para Michelin, o uso de máscaras e outros equipamentos não só foi importante no combate à Covid-19, como também para evitar e mitigar outras doenças respiratórias.

Prova disso é a queda na transmissão de vírus Influenza. Em São Paulo, as contaminações por H1N1 em 2020 caíram para 79, ante 188 do ano anterior.

Tratamento da Covid-19 entre os avanços científicos

A vacina ou um tratamento para a Covid-19 sem dúvida é um dos avanços mais aguardados pela ciência e pela sociedade. Mesmo entre idas e vindas quanto à eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina, ainda não há um medicamento totalmente seguro e específico para tratar a doença.

A Covid-19 ainda tem se mostrado complexa, deixando sintomas e sequelas mesmo em pacientes curados. Além disso, gera reações inusitadas, como dores nas articulações e até disfunções gastrointestinais.

Segundo Floeter-Winter, que também é professora titular do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), a ciência ainda busca entender a fisiopatologia da doença. “Devemos levar em consideração, no caso da Covid-19, que em torno de 85% dos infectados tem cura espontânea. Então, há bastante complexidade na análise dos testes de eficácia dos fármacos.”

Redação Secad
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