Cirurgia em tempos de Covid-19: conheça as novas orientações

  • julho/2020
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No começo de março, com o rápido crescimento dos casos de coronavírus no Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar recomendou o adiamento das cirurgias eletivas em ambiente hospitalar para que mais leitos e profissionais da saúde estivessem disponíveis para atender os pacientes da Covid-19.

Essa estratégia reduziu o fluxo nos blocos cirúrgicos. Mas a rotina perioperatória mudou mesmo nas operações urgentes, que ficará ainda mais rigorosa. No final de maio, a Anvisa publicou a Nota Técnica 6/2020 que libera os procedimentos eletivos de acordo com a situação de cada região e divulga novas orientações para médicos e enfermeiros.

Em sintonia com essas diretrizes, a ANS optou por restaurar os prazos máximos a serem cumpridos pelos convênios no agendamento de cirurgias. Segundo a agência, diversas sociedades médicas e hospitais asseguraram que as unidades de saúde já possuem condições de atender esses procedimentos normalmente.

A partir de agora, as cirurgias eletivas, quando marcadas através de plano de saúde, voltam a seguir o prazo normal de agendamento. Confira, a seguir, como a Covid-19 impacta a prática perioperatória e quais os cuidados necessários no cenário atual.

Novos protocolos de preparação

O planejamento para a retomada das cirurgias deve ser baseado nas medidas já conhecidas de segurança e de redução de contaminação pelo coronavírus. Ainda assim, a Nota Técnica deixa as unidades de saúde livres para adotarem normas mais rigorosas – se entenderem que é necessário.

Segundo a Anvisa, o ideal é que as equipes cirúrgicas simulem situações inesperadas durante uma operação em período da pandemia, para evitar erros que prejudiquem a segurança dos profissionais.

Antes de iniciar qualquer operação, toda a equipe precisa verificar seus equipamentos de proteção individual (EPI) – e, nesse caso, as máscaras N95 e PFF2 não são recomendadas, pois há liberação do ar expirado. Já os pacientes, sempre que possível, devem utilizar a máscara todo o tempo. Os EPIs, incluindo luvas e avental impermeável, têm de ser trocados a cada trajeto entre a ala de internação e o bloco cirúrgico.

Também é indicado que um profissional acompanhe o procedimento do lado de fora da sala, para alcançar possíveis insumos ou equipamentos necessários, sem que haja movimentação entre as unidades.

O que cuidar no ambiente cirúrgico

A Nota Técnica recomenda a realização de, pelo menos, três checklists:

  1. o Protocolo de Cirurgia Segura;
  2. a Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica;
  3. e o Protocolo de Paramentação e Desaparamentação de EPIs.

Eles otimizam o fluxo de trabalho e são fundamentais na prevenção da infecção.

Considerando a dificuldade da descontaminação de várias salas cirúrgicas, a Anvisa recomenda que o hospital separe uma área específica do centro cirúrgico apenas para os pacientes suspeitos ou diagnosticados com Covid-19.

Quando o procedimento precisar de indução anestésica, intubação e extubação orotraqueal ou houver geração de aerossóis, o melhor é que ele seja realizado em um espaço com pressão negativa e filtro HEPA, para reduzir a disseminação do vírus. Caso a unidade não conte com essas tecnologias, a alternativa é manter o sistema de ar-condicionado desligado. A pressão da sala deve seguir sem alteração até o fim da limpeza.

O acesso das vias aéreas é um momento crítico de dispersão viral. Por isso, os profissionais da equipe que não estiverem envolvidos no processo de anestesiologia devem aguardar fora da sala até a sua conclusão.

Aproveite para conhecer a Atualização Profissional desenvolvida em parceria com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).

O procedimento e o pós-operatório

Sempre que o caso permitir, deve-se optar pela cirurgia laparoscópica, já que a operação aberta aumenta consideravelmente a emissão de partículas em aerossol e o tempo de internação.

O cirurgião deve realizar a menor incisão possível – apenas o suficiente para a passagem dos instrumentos, mas não para o vazamento de secreções. A pressão de insuflação do CO2 deve ser mantida no padrão mínimo e aliada ao uso de uma ultrafiltração.

Como o vírus foi encontrado em várias células do trato gastrointestinal e em todos os fluidos corporais, o uso de qualquer forma de energia para hemostasia deve ser minimizada. Quando necessários, os trocantes devem ser descartáveis e utilizados somente em um local, principalmente o destinado ao esvaziamento do ar presente na cavidade abdominal.

Ao final do procedimento, a equipe médica deve descartar todos os EPIs e insumos utilizados, substituindo-os por novos, antes mesmo de deixar a sala.

Nesse momento, o pós-operatório deve ser observado com ainda mais cautela, uma vez que a queda da imunidade é a reação natural nos primeiros dias de internação. Um artigo publicado no The Lancet, periódico médico, analisou o pós-operatório de mais de mil pacientes que realizaram operações durante a pandemia. Dois terços deles foram diagnosticados com Covid-19 após a cirurgia – mas, quando deram entrada, não apresentavam sintomas.

Se você é médico e atua na área cirúrgica, atualize-se com conteúdos chancelados pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).

Redação Secad
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