Você sabe como identificar a nova Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica?

  • julho/2020
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Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica

As crianças compõem o grupo das pessoas menos infectadas pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Entre aquelas que contraem desenvolvem a covid-19, a maioria é assintomática. Ou apresenta sintomas leves. Nos últimos meses, porém, um número crescente de crianças têm desenvolvido uma síndrome inflamatória multissistêmica, especialmente nos países mais afetados pela pandemia.

A suspeita é de que se trate de uma síndrome pós-infecciosa ainda não identificada, mas bastante semelhante à doença de Kawasaki – vasculite pediátrica aguda rara que pode impedir o crescimento normal das artérias coronárias. No Brasil, a Sociedade de Pediatria de São Paulo publicou um artigo alertando a comunidade médica sobre a patologia e instruindo o seu reconhecimento. Conheça as características da síndrome e saiba como identificá-la.

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O perfil e a origem da doença

Os sintomas dessa condição são parecidos com os de outras patologias inflamatórias pediátricas: febre alta e persistente, diarreia e dor abdominal, erupções cutâneas em todo o corpo e irritação das membranas mucosas, edema de mãos e pés e cefaleia. Em alguns casos, também existem manifestações cardiológicas, com aumento da concentração de troponina I e pro-B-type natriuretic peptide – proBNP, sinais indiretos de miocardite e insuficiência cardíaca.

A comparação com a doença de Kawasaki acontece justamente porque ambas afetam os vasos sanguíneos e podem causar choque tóxico estafilocócico e estreptocócico.

Recentemente, o periódico médico The Lancet publicou um estudo realizado em Bergamo, cidade com a maior taxa de contaminados e mortos da Itália, que identificou dez crianças com esses sintomas entre 18 de fevereiro e 20 de abril desse ano. O autor analisou os registros de todos os pacientes diagnosticados com Kawasaki nos últimos cinco anos e os dividiu em dois grupos: aqueles que haviam recebido o diagnóstico antes da pandemia de coronavírus e aqueles que receberam depois.

O sintomas relatados pelos grupos foram similares, mas existiram diferenças importantes. No segundo grupo, houve uma proporção mais elevada de choques e hipotensão com necessidade de ressuscitação fluídica e de queixas gastrointestinais. A faixa etária dos diagnosticados após a pandemia também era mais elevada.

Definição de caso e novas evidências

O Serviço de Saúde do Reino Unido também pesquisou casos da síndrome, mas divulgou outros resultados. De acordo com os estudos britânicos, a condição observada não é a doença de Kawasaki. A patologia recebeu a nomenclatura temporária de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica temporariamente associada ao Sars-CoV-2 (PIMS-TS, na sigla em inglês).

A conclusão é baseada no fato de que a nova doença apresenta sintomas gastrointestinais muito mais intensos, maior elevação de marcadores inflamatórios e tem afetado crianças com mais de 9 anos, enquanto a patologia já conhecida acomete pacientes com até 5 anos. Segundo as pesquisas, a PIMS-TS é extremamente rara, mas pode levar à complicações coronárias graves e de longa duração se não houver rápida identificação e tratamento adequado. A pesquisa definiu o quadro da seguinte forma:

  • Criança que apresenta febre persistente; neutrofilia, PCR elevada e linfopenia; disfunção de um ou mais órgãos e que cumpre com os critérios completos da doença de Kawasaki;
  • Exclusão de infecções bacterianas;
  • Teste de Sars-Cov-2 PCR positivo ou negativo, mas com anticorpos normalmente positivos.
    O artigo não correlaciona a nova síndrome à covid-19, apesar de 87% das crianças analisadas apresentarem evidências de que já haviam sido contaminadas pelo coronavírus. A hipótese é de que a condição seja originada por uma reação exagerada do sistema imunológico.

Tratamento da PIMS-TS

Devido à dificuldade de identificação e classificação da síndrome, ainda não há um tratamento padrão. Ambos os estudos recomendam o encaminhamento para terapia intensiva pediátrica, considerando a alta frequência de choque estafilocócico e estreptocócico.

A pesquisa italiana revelou melhoras com o uso de corticóides e de gamaglubina endovenosa. Estudos britânicos apontaram na mesma direção: dos pacientes internados, 64% obtiveram resultados positivos com o uso de corticóides e 71% foram tratados com imunoglobulina intravenosa. O prognóstico também parece positivo quando o quadro é identificado cedo: 22% das crianças conseguiram se recuperar apenas com cuidados de suporte.

Redação Secad
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