Nível de imunização: entenda a estratégia para conter a disseminação do coronavírus

  • janeiro/2021
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Em 7 de janeiro, o Instituto Butantan e o Governo do Estado de São Paulo anunciaram a eficácia da vacina Coronavac – produzida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Na coletiva de imprensa, os números apresentados demonstraram que a Coronavac teve eficácia de 78% para a prevenção de casos leves de Covid-19 e de 100% para casos graves.

Apesar dos números promissores, não foram divulgados dados sobre como foi calculada essa taxa de eficácia, nem a quantidade de casos graves e leves e em que grupos se manifestaram. Esse tipo de lacuna interfere na estratégia de imunização nacional, única saída para a contenção do coronavírus no país.

 

Como calcular o nível de imunização ideal

Epidemiologistas apontam que, num cenário ideal, 70% da população deve estar vacinada para frear o espalhamento do vírus. Entretanto, como as vacinas atuais têm eficácia variável, é necessário calcular a relação entre sua efetividade para só então prever o número mínimo de pessoas imunizadas para eliminar o vírus.

A percentagem mínima de eficácia para a vacina estabelecida por órgãos de saúde como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Food and Drug Administration (FDA/EUA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 50%. Nesse caso, seria necessário imunizar 100% da população.

A fórmula clássica para calcular o limiar parte do número básico de reprodução da infecção, conhecido como R₀ (erre zero). Assim, o cálculo feito é R – 1/R dividido pela eficácia da vacina (%).

Uma reportagem veiculada no Jornal Nacional em 5 de janeiro demonstra que, caso a vacina utilizada no Brasil seja a da Pfizer/Biontech, que tem 95% de eficácia, seria necessário vacinar 52% da população – cerca de 82 milhões de pessoas. Nesse caso, estima-se cerca de 5 meses para aplicar a primeira dose.

Já com a vacina da AstraZeneca, feita em parceria com a Universidade de Oxford e cuja eficácia é de 62%, seria necessário imunizar 80% da população – ou, 129 milhões de pessoas. A campanha de vacinação, nesse caso, levaria mais de oito meses. O problema é que ambas as vacinas necessitam de duas doses, o que demanda ainda mais tempo para garantir o nível de imunização ideal.

A urgência pela transparência dos dados de efetividade da Coronavac se dá pela facilidade de armazenamento e logística do imunizante. O instituto Butantan já está produzindo a vacina e a distribuição no país seria otimizada nesse sentido. Além disso, a Coronavac usa o vírus inativado, o que dispensa o uso de super-refrigeradores – como no caso da Pfizer/Biontec e da AstraZeneca.

A biomédica e doutora e neurociências Mellanie Fintes Dutra publicou, em uma rede social, um guia sobre a cobertura vacinal. “Se toda a população se vacinar com vacinas de baixa eficácia, como a de 62% da Az [AstraZeneca], ainda assim o vírus para de circular. Por outro lado, se tivermos apenas 10% da população vacinada com a vacina de 95% de eficácia, o vírus permanece ativo. Por isso, deve ser uma estratégia coletiva”, descreveu.

 

Situação da vacina no Brasil

Especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional apontam que é improvável alcançar o nível de imunização ideal em menos de um ano. Ao longo desse período, o isolamento social deverá ser mantido, assim como medidas de enfrentamento tradicionais – como máscara e higienização – mesmo que parte da população esteja vacinada. A Inglaterra, que começou a imunização ainda em dezembro de 2020, implementou um lockdown de seis semanas para otimizar o processo e conter a nova variante do coronavírus.

Em coletiva de imprensa no dia 7, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou a compra de 100 milhões de doses de vacina do Instituto Butantan. O acordo prevê o fornecimento de 46 milhões de doses de vacina até abril, além de outras 54 milhões de doses até o fim do ano.

O pedido de uso emergencial da vacina foi encaminhado à Anvisa no dia seguinte e deve levar cerca de dez dias para receber a liberação. Já o registro definitivo deve sair em 60 dias. Apesar disso, o Ministério da Saúde ainda não prevê uma data para o início da imunização.

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Redação Secad
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