Comunicação efetiva e segurança do paciente durante a COVID-19: reflexões da equipe de enfermagem

  • novembro/2021
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O período de pandemia da COVID-19, uma doença que atingiu os cinco continentes e causou graves consequências físicas, psíquico-sociais, políticas, econômicas e até culturais, tem exposto diariamente os desafios da saúde pública no mundo.  O dashboard não é nada agradável, demonstrando seriamente a vulnerabilidade que ainda estamos passando com a circulação do vírus SARS-Cov-2 e suas variantes e mutações.

Até 12 de setembro de 2021, foram registrados 224.372.380 de casos confirmados, o que corresponde a quase 2,9% da população global, sendo 4.625.000 óbitos registrados pela doença (2,06% do número de casos registrados). Apesar de pouco mais de 5,3 bilhões de vacinados, a pandemia ainda representa um grande desafio para os sistemas de saúde no momento(1). No Brasil, são mais de 22 milhões de casos confirmados (9,85% da população brasileira) e 612 mil óbitos (taxa de mortalidade de 2,8%)(2).

A cobertura vacinal, ainda não tão confiável em dados lançados, chega a 204 milhões de doses aplicadas. Entretanto, apenas pouco mais de 68 milhões de pessoas haviam tomado a 2ª dose até o dia 9 de setembro. Isso corresponde a uma cobertura de 32,4% da população brasileira vacinada(3).

Os números supracitados são bem vivenciados nos serviços de emergência e de terapia intensiva que atendem a pacientes com COVID-19, pois são espaços que estão intimamente envolvidos no diagnóstico e tratamento da doença. Em vários momentos destes 18 meses, o panorama mundial era de superlotação, incertezas terapêuticas, falta de insumos e mudanças constantes de protocolos, gerando falta de leitos e tempo prolongado de internação.

Nos serviços de emergência ainda contamos com superlotação, atendimento demorado e falta de testes para diagnósticos – tanto de biologia molecular como de imagem. Soma-se a isso todo o contexto vivido pelas equipes, como utilização de EPIs, alteração de luminosidade e ruídos do ambiente, o que leva a situações que podem comprometer a qualidade assistencial, uma vez que comprometem principalmente a comunicação.

A melhoria da comunicação entre profissionais de saúde é o segundo item das Metas Internacional de Segurança do Paciente, proposto pela Portaria 529/2013, na implementação do Programa Nacional de Segurança do Paciente(4). A comunicação efetiva tem por objetivo otimizar a qualidade na transmissão de mensagens entre os profissionais da área da saúde, garantindo que as informações verbais e registradas sejam precisas e completas. A efetividade dessa comunicação está fundamentada em uma linguagem clara, estruturada e com técnicas corretas de comunicação, que dependem da superação de algumas barreiras, como adaptação comportamental aos obstáculos ambientais, físicos e psicológicos que podem estar presentes tanto no emissor quanto no receptor da comunicação(5).

Somado a essas barreiras, precisamos levar em consideração situações pelas quais os profissionais têm passado durante a pandemia:

  • falta de tempo;
  • escassez de recurso humano;
  • falta de padronização da linguagem;
  • protocolos institucionais;
  • estresse da equipe e carga horária exaustiva;
  • cansaço físico e emocional.

Precisamos entender a questão da comunicação em etapas, a começar pela comunicação pré-atendimentos – aquela comunicação que vai além da equipe assistencial. Hoje, as informações, sejam elas reais ou falsas, circulam mais rapidamente nas mídias sociais, alcançando grande número de pessoas que tomam como verdade tudo sobre COVID-19. Muitos pacientes recorrem à internet para se medicar e chegam ao atendimento hospitalar com vários mitos e incertezas. Por vezes, ainda, discordam da equipe de saúde baseados naquelas informações.

Por conta disso, a comunicação paciente x profissional de saúde precisa ser clara, objetiva, empática, direcionada e educativa. Precisamos utilizar do feedback contínuo para melhor compreensão e adesão ao tratamento, e utilizá-la da mesma maneira com as famílias ou responsáveis legais. Na comunicação entre profissionais de saúde, percebe-se que as falhas na comunicação têm sido um dos principais fatores que contribuem para a ocorrência de eventos adversos e, consequentemente, para a diminuição da garantia da qualidade da assistência (6).

Essa ocorrência está associada, também, à última etapa da comunicação: entre instituição e colaboradores. Para o aprimoramento dos processos, uma das estratégias utilizadas é a implementação da cultura organizacional para a segurança do paciente e da qualidade assistencial com o gerenciamento de risco. Isso se dá adotando ações simples e efetivas, por meio do cumprimento de protocolos específicos e de barreiras de segurança no sistema da assistência, prevenindo situações de risco e eventos adversos.

Autora:

Adriana Ouverney Braz

Doutoranda em Saúde EEAN/UFRJ – Membro do GPESEG. Mestre em Emergência Cardiovascular. Especialista em Gestão da Qualidade/IEAE.

Referências:

  1. Organização Mundial da Saúde. Painel Coronavirus pela OMS [Internet]. 2021 [cited: 2021 Set 13]. Available from: https://covid19.who.int/
  2. Ministério da Saúde (BR). Painel Coronavírus [Internet]. [cited: 2021 Set 13]. Available from: https://covid.saude.gov.br/
  3. Ministério da Saúde (BR). Vacinômetro. [Internet]. [cited: 2021 Set 13]. Available from: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao
  4. Ministério da Saúde (BR). Portaria 529, de 1º de Abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). [Internet]. Brasil. 2013. [cited: 2021 Set 01]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013.html
  1. Rocha G, Silva R, Neto F, Fontes J, Nascimento JM, Bastos SN. Comunicação efetiva para segurança do paciente e o uso de tecnologias da informação em saúde. REAID [Internet]. 31ago. [cited: 2021 Set 01] 202093(31):e-20033. Available from: https://revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/712
  2. Olino L,Gonçalves AC,Strada JKR, Vieira LB, Machado MLP,Molina KL, Cogo ALP. Rev Gaucha Enferm. [cited: 2021 Set 03] 2019 40(esp):e20180341 [cited: 2021 Set 03] https://www.scielo.br/j/rgenf/a/WWg79Qfp8bPWc6HpQVmJLyC/?lang=pt&format=pdf
Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Segurança, Sustentabilidade e Gestão em Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro
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