Descarte seguro de resíduos produzidos em área Covid

  • junho/2021
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Há muito se fala acerca da importância do Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), devido ao seu impacto econômico e ambiental, além do risco de transmissão de doenças. Em março de 2018, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por meio da RDC n° 222, publicou as novas normativas nacionais para o descarte seguro de RSS. Um desafio para muitos estabelecimentos de saúde, o descarte seguro é de total responsabilidade das instituições. Devendo seguir as legislações vigentes, pautando-se no Plano de Gerenciamento de Resíduos (PGRSS), documento elaborado a fim de nortear toda a cadeia de gerenciamento de RSS, desde a sua geração até o seu descarte final, contemplando aspectos da segregação e armazenamento.

Apesar dos esforços para avançarmos nos termos da sustentabilidade em saúde, a pandemia da Covid-19 vem sobrecarregando profissionais e instituições devido ao seu impacto epidemiológico mundial, riscos biológicos e escassez de recursos.

Considerando a classificação dos RSS, de acordo com a Anvisa, os resíduos provenientes da assistência aos pacientes suspeitos ou confirmados com Covid-19 são classificados como resíduos do Grupo A, ou seja, com presença de agentes biológicos que podem apresentar risco de infecção para aqueles que os manipulam. Podemos, ainda, classificar os resíduos biológicos em subdivisões, sendo elas A1, A2, A3, A4 e A5. Essa classificação depende das características e estrutura dos resíduos gerados.

Em meio à pandemia, estados e municípios brasileiros vêm publicando normas técnicas acerca das particularidades do gerenciamento de resíduos provenientes da assistência aos pacientes com Covid-19. A orientação é que resíduos resultantes da atenção a esses pacientes, desde recipientes e materiais contendo sangue ou líquidos corporais, peças anatômicas, vísceras, kits de linhas arteriais, dialisadores, filtros de ar, bolsas transfusionais, materiais perfurocortantes e escarificantes, até mesmo EPIs, como luvas, máscaras, jalecos descartáveis, toucas descartáveis e seus similares, devem ser descartados em recipientes identificados pelo símbolo de substância infectante com rótulo de fundo branco leitoso, com desenho e contorno pretos.

Portanto, cabe salientar que todo e qualquer resíduo gerado dentro de setores para tratamento da Covid-19 devem ser classificados primeiramente como resíduos do Grupo A, devendo ser segregados, descartados e transportados de maneira adequada a fim de evitar a disseminação do vírus e contaminação dos indivíduos.

Ressalta-se não só a importância da segregação e descarte adequados, mas toda a cadeia de gerenciamento. Um levantamento realizado na China no primeiro trimestre de 2020 mostrou o impacto da pandemia na geração dos resíduos. Em Wuhan, primeiro epicentro de Covid-19 no mundo, os hospitais chegaram a produzir mais de 240 toneladas diárias de lixo hospitalar durante o pico do surto pandêmico. Antes da pandemia, essas instituições produziam até 40 toneladas. Esse aumento significativo tornou necessária a criação de centros de tratamento móveis para os resíduos provenientes do cuidado aos pacientes acometidos pelo vírus.

Diante do contexto global, torna-se crucial a implantação de medidas mais efetivas para o descarte seguro de resíduos com a presença desses agentes biológicos, uma vez que seu descarte inadequado pode disseminar o vírus, aumentando o impacto na saúde pública e ambiental.

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REFERÊNCIAS:

  • Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 222, de 28 de março de 2018;
  • Silva, C. M. et al. A Pandemia de COVID-19: Vivendo no Antropoceno. Rev. Virtual Quim., 2020, 12 (4), 1001-1016. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Ricardo-Soares-26/publication/342898499_The_COVID-19_Pandemic_Living_in_the_Anthropocene/links/5f9cd31e92851c14bcf63fd8/The-COVID-19-Pandemic-Living-in-the-Anthropocene.pdf. Acesso em: 13 jun 2021;
  • Santa Catarina. Secretaria de Estado e Saúde.Nota Técnica DIVS N° 006/2020. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/coronavirus/arquivos/ntc-006-2020.pdf. Acesso em: 13 jun 2021;
  • Coranovirus leaves China with mountains of medical waste. Disponível em: https://www.scmp.com/news/china/society/article/3074722/ coronavirus-leaves-china-mountains-medicalwaste. Acesso em: 13 jun 2021;
  • Gomes PMM, Nascimento ND, Paes GO. Gerenciamento de resíduos hospitalares nas unidades de emergência. In: Associação Brasileira de Enfermagem; Unicovsky MAR, Spezani RS, Waldman BF, organizadores. PROENF Programa de Atualização em Enfermagem: Urgência e Emergência: Ciclo 5. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2018 p 139-159. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 3).

Texto produzido por Patriny Marcelle Mariano Gomes, integrante do GPESEG – UFRJ.

Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Segurança, Sustentabilidade e Gestão em Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro
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