Cardiointensivismo: por que a área é promissora para fisioterapeutas

  • junho/2021
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Entre o começo do ano e meados de maio, cerca de 155 mil brasileiros foram a óbito em decorrência de doenças cardiovasculares. Mesmo se tratando da principal causa de mortes no país, e dos esforços para conter o problema, o Ministério da Saúde calcula um aumento de até 250% nas ocorrências até 2040.

Conforme definição da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a realidade atual é de uma “verdadeira epidemia de doenças cardiovasculares que espreitam o cenário de cardiologia”. Se por um lado é fundamental a evolução das terapêuticas nesse sentido, por outro é necessário ampliar a formação de profissionais capacitados em diferentes áreas. É o caso da fisioterapia, responsável pela prevenção de agravos e pela reabilitação de pacientes com problemas cardíacos.

O cardiointensivismo, vale ressaltar, ainda não é uma especialidade oficial da fisioterapia. Entretanto, o nicho desponta como uma das áreas de atuação mais requisitadas em terapia intensiva de adultos – o que revela uma tendência de franca expansão.

Em geral, a fisioterapia no ambiente hospitalar é atrelada ao contexto respiratório e pulmonar. Além disso, pacientes que precisam de UTI costumam apresentar algum tipo de risco e comprometimento cardiovascular. Quem afirma é a fisioterapeuta Vanessa Marques Ferreira, que atua em terapia intensiva com ênfase em cardiointensivismo. “Com o aumento das demandas, a fisioterapia cardiológica cresceu. Trata-se de algo que ficava de lado na formação em Fisioterapia e que agora se mostra essencial para as melhores condutas”, afirma.

Função da fisioterapia no cardiointensivismo

Um dos principais objetivos fisioterapêuticos em cardiointensivismo é reconhecer as bases fisiológicas do sistema cardiovascular em situações graves. Afinal, o paciente internado em UTI perde a integralidade de sua capacidade funcional. “Para manter a funcionalidade e até mesmo melhorá-la, a fisioterapia adota exercícios físicos e respiratórios, além da mobilização da musculatura esquelética”, comenta Ferreira.

A estratégia da fisioterapia é minimizar os prejuízos ao paciente no período internado em decorrência de infarto ou insuficiência cardíaca descompensada. Para tanto, a reabilitação não pode perder tempo. Cardiopatas pós-cirurgia, por exemplo, passam por reabilitação imediata.

Doenças cardiovasculares na UTI

Pacientes que padecem de eventos cardiovasculares graves têm destino certo no ambiente hospitalar: a UTI. Na unidade, o monitoramento é constante, e a assistência provém de equipes multidisciplinares mobilizadas para garantir a segurança e o melhor prognóstico.

As condições de cardiointensivismo mais comuns para a assistência fisioterapêutica são:

  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Edema agudo cardiogênico;
  • Insuficiência cardíaca descompensada;
  • Hipertensão pulmonar;
  • Pós-operatório de cirurgia cardíaca;
  • Insuficiência do ventrículo direito;
  • Pacientes sem evento cardiovascular em si, mas com choque cardiogênico, choque séptico ou hipovolêmico.

Nesses cenários, cabe à equipe de fisioterapia programar a reabilitação com maior rigor e eficácia. “Sem domínio da área de cardiointensivismo não se realiza certas atividades importantes, por puro desconhecimento. Com a formação adequada, é possível oferecer os melhores recursos e otimizar a assistência”, destaca a fisioterapeuta.

Entre as intervenções terapêuticas mais utilizadas em cardiointensivismo, é possível destacar:

  • Atividades aeróbicas;
  • Exercícios com cicloergômetro;
  • Atividades associadas à ventilação mecânica não invasiva;
  • Testes para determinar condição clínica;
  • Teste do degrau;
  • Avaliações funcionais;
  • Teste do senta-levanta.

Nestas situações, é necessário ter conhecimento qualificado sobre ventilação mecânica. Só assim será possível identificar as atividades mais adequadas ao paciente com cardiopatia. “O ventilador faz uma parte, o sistema cardiovascular faz outra. Por isso, o fisioterapeuta precisa ter um olhar completo sobre o pulmão e coração, para que um não prejudique o outro”, acrescenta Vanessa Marques Ferreira.

Diferenciais para atuar em cardiointensivismo

Não são apenas os exercícios de reabilitação que devem estar na rotina dos fisioterapeutas que atuam em terapia intensiva. No contexto do cardiointensivismo, há duas práticas que influenciam diretamente o quadro clínico do paciente e merecem atenção.

A primeira consiste no balão intra-aórtico, dispositivo de assistência circulatória mecânica (ACM) amplamente utilizado. De dentro da aorta, o balão é inflado e desinflado para facilitar a saída de sangue do coração. Por conta de sua eficiência, o equipamento tem substituído, inclusive, a utilização de drogas vasoativas. “Os medicamentos melhoram, de fato, o funcionamento do coração, mas já se sabe que podem comprometer órgãos. Além disso, a inclusão do balão é ainda mais precoce e pode ser utilizado por mais tempo no paciente grave”, explica Ferreira.

Compete ao fisioterapeuta, aqui, entender as indicações de uso desses dispositivos. Isso inclui identificar a etapa da doença em que o paciente se encontra. A via de inserção também deve ser uma preocupação regular. No Brasil, a maioria dos procedimentos é realizada pela artéria femoral, o que impacta em exercícios com os membros inferiores. Ainda assim, alguns serviços utilizam a inserção pela axila.

A segunda prioridade dos fisioterapeutas está ligada às drogas vasoativas, que agem no suporte circulatório e hemodinâmico. Por isso, o profissional deve compreender a fisiologia cardíaca e os fatores que interferem na pressão arterial. “Esses medicamentos atuam na resistência dos vasos e têm impacto na perfusão dos músculos. Portanto, o exercício pode trazer mais prejuízo”, esclarece a fisioterapeuta.

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Redação Secad
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