Fisioterapia em UTI: como elaborar indicadores para a gestão da assistência

  • maio/2021
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Personalização. A palavra é cada vez mais frequente no contexto da assistência em saúde. Em especial, no âmbito da terapia intensiva. A estratégia não se aplica apenas à humanização do cuidado, mas estende-se, sobretudo, à gestão eficiente e qualificada. Afinal, é na mensuração customizada dos resultados que reside o ponto chave da gestão da fisioterapia em unidades de terapia intensiva (UTI).

Como se sabe, a atuação em UTI é ampla e complexa, o que exige a utilização racional de recursos – tanto de pessoal como de estruturas e materiais. No âmbito da fisioterapia, o trabalho consiste na prevenção e reabilitação de agravos. Daí a importância da mensuração de resultados de maneira singular.

É nesse contexto que se insere o conceito de avaliação e monitoramento em saúde. A prática é fundamental para que os serviços possam analisar seu desempenho e, assim, otimizem a qualidade da assistência. Cada especialidade deve fazer um levantamento de suas ações, a fim de regular metas e resultados. Como consequência, há uma melhora na qualidade do atendimento ao paciente e para a própria instituição.

Como elaborar um sistema de monitoramento eficaz

Existem três pilares para a gestão eficiente em fisioterapia intensiva: mapeamento estratégico, mapeamento tático e mapeamento operacional. “É preciso que o fisioterapeuta conheça a estratégia da instituição, dando um direcionamento claro ao que deve ser priorizado. E, obviamente, compreender o papel da sua área nos projetos e planos de ação”, explica Wellington Yamaguti, gerente assistencial do Serviço de Reabilitação e Setor de Função Pulmonar do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Apesar de haver a disponibilidade de metodologias de monitoramento padrão, Yamaguti defende que cada gestor tenha a sensibilidade de adaptar o seu sistema de avaliação. Com isso em mente, o fisioterapeuta que atua na gestão da assistência consegue elaborar um “planejamento tático” baseado nos indicadores que envolvem a estrutura disponível, os processos consolidados e os resultados (obtidos e metas).

Em todos os processos é fundamental observar as premissas para construção de diretrizes assistenciais próprias. Nesse contexto, Wellington Yamaguti indica os principais elementos a ponderar:

  • Levar em conta modelos que podem ser individualizados para a instituição;
  • Conhecer a cultura organizacional da instituição e suas potencialidades;
  • Saber se as diretrizes estão de acordo com a estrutura, os processos, as equipes e a estratégia da instituição;
  • Compreender o perfil dos pacientes da instituição.

Gestão na prática

Não existe gestão efetiva que não considere a experiência do indivíduo com o serviço. Aqui, o indicador é o modelo assistencial, que deve ser preconizado pelo cuidado centrado na pessoa. Mesmo que pareça evidente, é importante lembrar que a centralidade dos serviços e dos parâmetros de qualidade devem se dar no paciente e em seus familiares.

Para mensurar quesitos assim, é necessário levar em conta premissas como atuação baseada em evidências, cursos de atualização e transdisciplinaridade. “Sozinho não se faz nada. Dependemos de profissionais com expertises específicas”, salienta Yamaguti.

Outra premissa para a gestão de fisioterapia em UTI enquadra-se no conceito de valor em saúde.

Ele consiste em:

  • Pertinência: algo que é pertinente a um grupo de pacientes talvez não seja para outros. A métrica baseia-se na observação da real necessidade e do benefício envolvido na intervenção;
  • Cuidado individualizado;
  • Observar se o desfecho do paciente casa com os indicadores levantados. Isso garante que a qualidade seja alcançada;
  • Desperdício: trata-se de evitar o desnecessário. “Se eu puder ter os mesmos resultados com uma intervenção menos onerosa, devo optar pelo melhor custo-benefício, pensando sempre na sustentabilidade em saúde”, diz Yamaguti.

Para elaborar esses critérios na mensuração da assistência em fisioterapia, é preciso treinar o olhar. Logo, é imperativo que o profissional e a organização estejam comprometidos com a educação corporativa, o desenvolvimento de hard skills e soft skills e com a busca por atualizações externas.

Para o gerente assistencial do Serviço de Reabilitação e Setor de Função Pulmonar do Hospital Sírio-Libanês, o desenvolvimento contínuo é um trunfo aos profissionais do setor. Daí a importância de buscarem cursos de pós-graduação como as especializações. As modalidades auxiliam tanto no desenvolvimento de competências técnicas voltadas ao cuidado quanto no aprimoramento das relações humanas – abordando aspectos como comunicação, empatia e trabalho em equipe.

Liderança em fisioterapia

Gestão e liderança devem andar lado a lado. “Um líder precisa ser um guia para as equipes, aquele que mostra caminhos, inspira, motiva, estimula os profissionais a se conectarem com o seu significado e propósito e leva a pessoa a entender qual é o seu papel dentro de uma UTI”, aponta Yamaguti.

Para ele, líderes com esse perfil são essenciais na administração de erros. “É preciso aperfeiçoar a partir do erro. Trata-se de algo que deve ser trabalhado”, considera. A estratégia não deixa de ser um indicador da qualidade do serviço, já que propõe descobrir a origem dos equívocos, saber se há falhas no processo e se é algo sistêmico. Medidas assim permitem que as intervenções sejam pontuais e assertivas na resolução de problemas.

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