Fisioterapia obstétrica: como é a atuação no parto humanizado

  • junho/2021
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O parto humanizado ou natural deveria ser considerado uma prática padrão. Mas não é – ao menos no Brasil. Cerca de 55% dos nascimentos no país são por cesárea, enquanto o índice tolerável e adequado seria de 15%, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Uma equipe multidisciplinar está envolvida na prevenção desse tipo de ocorrência, bem como na manutenção da saúde da parturiente e do bebê – durante e depois do parto. Nesse processo, cada profissional tem uma função específica. A fisioterapia em obstetrícia, por exemplo, foca no preparo do corpo para o parto natural, além de auxiliar na plena recuperação da mulher puérpera.

O que é parto humanizado

O parto humanizado consiste no nascimento mais natural possível do bebê, sem intervenções como a episiotomia e a aplicação de ocitocina. Trata-se de um modo de oferecer maior autonomia à parturiente, além de uma rápida recuperação. Isso só é possível em casos de baixo risco, em que não seja necessário intervenção cirúrgica – ou seja, cesárea.

A adoção de práticas e estratégias humanizadas também tem como objetivo diminuir a morte materna. Segundo o Ministério da Saúde, 38.919 mães foram a óbito entre 1996 e 2018. A maioria das ocorrências (67%) ocorreu por conta de complicações antes, durante e após o parto, causadas por intervenções, omissões e tratamento incorreto, ou por uma cadeia de eventos.

A gravidez é um período intenso para a mulher, que convive com frequentes alterações psicológicas, anatômicas, fisiológicas e biomecânicas, a fim de melhor acomodar o bebê. Dores e desconforto são normais, segundo a Associação Brasileira de Fisioterapia  em Saúde da Mulher (ABRAFISM), e podem comprometer a qualidade e a funcionalidade do organismo da grávida.

Pode ser esse o motivo para a crescente procura pelo parto humanizado (assim como pelo domiciliar) no Brasil. As futuras mães desejam preservar as suas capacidades fisiológicas e tornar o processo mais fácil e autônomo. Entre outras especialidades, a fisioterapia em obstetrícia ajuda diretamente a alcançar esses objetivos.

A atuação da equipe interdisciplinar qualificada é fundamental durante a gravidez e após o parto. Não apenas a fim de proporcionar acolhimento e segurança, mas para orientar a respeito das alterações típicas do período, bem como auxiliar na manutenção ou recuperação da funcionalidade dos sistemas do corpo.

Intervenções fisioterapêuticas no parto humanizado

Durante a gravidez, a mulher fica suscetível a diversas alterações físicas. Entre elas estão a síndrome do túnel do carpo, edema nos membros inferiores, dispneia, dorsalgia, lombalgia e sintomas de deficiência do assoalho pélvico. As causas incluem as adaptações hormonais e a sobrecarga do peso abdominal e do bebê.

A intervenção fisioterapêutica em obstetrícia busca prevenir e tratar o desconforto e as dores geradas por essas alterações. Assim, é possível proporcionar relaxamento sem o uso de fármacos, além de desenvolver confiança da parturiente com seu próprio corpo. A prática também é útil na melhora clínica e funcional das pacientes depois do parto.

Para atingir tais objetivos, os fisioterapeutas elaboram estratégias direcionadas a cada caso. Aqui, é preciso realizar uma avaliação física e cinesiofuncional com o auxílio de exames complementares (perineometria, eletromiografia de superfície, imaginologia, perimetria, volumetria e escalas questionários) e testes funcionais (graduação de dor pélvica, prova de função muscular, entre outros).

A partir disso, os profissionais realizam:

  • Indicação de adaptação ergonômica nas atividades de trabalho e domésticas;
  • Prescrição e supervisão de programas de exercício físico seguro e terapêutico;
  • Treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP);
  • Preparo global da mulher para o parto.

A ABRAFISM indica aos profissionais que atuem na sala de parto para minimizar a dor com massagem e mobilização articular. Além disso, orientam a mulher sobre as posições mais confortáveis e que facilitam a abertura do canal de parto, além de acelerar o procedimento.

Capacitação para a atuação em fisioterapia obstétrica

Fisioterapeutas interessados em atuar com obstetrícia devem se especializar em Saúde da Mulher, área reconhecida desde 2009 e regulamentada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) por meio da Resolução  n° 401/2011.

As especializações incluem conhecimento técnico e científico específicos e aprofundados sobre o cuidado das mulheres de todas as faixas etárias, da infância à terceira idade, e incorporam um olhar voltado aos aspectos socioculturais, baseado no trabalho em equipes multidisciplinares.

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