Anestesiologia veterinária: como o profissional deve atuar

  • fevereiro/2021
  • 307 visualizações
  • Nenhum comentário

Conforme a ciência da medicina veterinária avança, novos e mais modernos tratamentos e procedimentos cirúrgicos ficam disponíveis nas clínicas e hospitais. Nesse contexto, o campo da anestesiologia veterinária ganha ainda mais importância, uma vez que a sedação e a anestesia são indispensáveis, inclusive em intervenções minimamente invasivas.

O veterinário anestesista, portanto, tem sido cada vez mais requisitado, seja para a realização de exames exploratórios ou para cirurgias complexas. Mas a especialidade também carrega desafios. Isso porque, apesar de viabilizar o atendimento médico e bloquear a dor do animal, a anestesia possui riscos, podendo até mesmo levar a óbito.

Assim, é essencial que o profissional que atua na área saiba identificar a melhor estratégia anestésica para cada caso. Isso inclui o manejo de equipamentos de apoio, a administração da substância escolhida, o monitoramento do estado do paciente durante o procedimento e a eventualidade de uma interrupção quando necessário.

Aprofunde-se no assunto com o Programa de Atualização em Medicina Veterinária, desenvolvido em parceria com a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais.

Conheça, a seguir, as atribuições do anestesista e os princípios pelos quais ele deve se guiar em cada etapa da cirurgia veterinária.

Pré-anestésico

No livro Anestesiologia Veterinária: Farmacologia e Técnicas, o doutor em Farmacologia Veterinária Flávio Massone aponta a anamnese pré-procedimento como primeira obrigação do anestesista. É necessário avaliar a idade do animal, o peso, a presença de comorbidades, a rotina alimentar e a duração da intervenção antes de escolher qualquer substância, protocolo e dosagens.

O veterinário ainda reforça a importância de garantir que o animal tenha acomodações higiênicas e confortáveis nos dias que antecedem o procedimento, evitando níveis de estresse prejudiciais ao ato anestésico. Deve-se, também, identificar os valores basais das principais funções orgânicas, assim como o perfil hematimétrico e urinário do paciente. Também cabe ao anestesista veterinário orientar o jejum, respeitando as características individuais do animal.

Período transanestésico

Antes de dar início à administração da anestesia, o profissional precisa analisar o estado e o funcionamento dos aparelhos e acessórios envolvidos no processo. Flávio Massone sugere o procedimento na seguinte ordem:

>> Checar o medicamento a ser aplicado duas vezes – uma ao selecioná-lo para a aplicação e outra logo antes de utilizá-lo –, a fim de evitar trocas de última hora. Avaliar também a concentração da substância, seu vencimento e eventuais alterações de coloração.
>> Verificar o equipamento, procurando vazamentos nos balões de borracha, nos fluxômetros e nas válvulas inspiratórias e expiratórias. Garantir a correta volumetria dos cilindros de oxigênio.
>> Confirmar a qualidade e o tamanho das seringas, agulhas e lâminas de laringoscópios.
>> Observar as condições das sondas e balotes, assim como das lanternas para avaliação do reflexo pupilar.

Com a anestesia aplicada, cabe ao veterinário anestesista monitorar a posição e os reflexos do animal. Ele também deve estar atento ao funcionamento dos equipamentos envolvidos na intervenção, tomando as medidas adequadas ao menor sinal de problemas ou de parada respiratória.

Pós-anestésico

Nesta etapa, as reações são bastante diversas, variando conforme a espécie, o método adotado e as particularidades do animal em atendimento. Em seu livro, Massone recomenda que o animal esteja sob acompanhamento constante durante o pós-anestésico imediato. O período se estende desde a suspensão do efeito anestésico até a estação voluntária.

Dependendo do caso, o recobrar de consciência pode levar minutos ou horas. O profissional precisa estar preparado para lidar com alterações como vômitos, tontura, agitação, andar cambaleante, aumento da pressão arterial e frequência respiratória elevada. O ideal é que o animal permaneça sem alimento e água pelas primeiras horas, permanecendo em um ambiente calmo e escuro.

Por fim, é dever do anestesista orientar os tutores sobre possíveis reações tardias, como dificuldades de metabolização ou trauma cirúrgico intenso. A recomendação deve estimular a procura por atendimento veterinário ao menor sinal de alterações comportamentais.

Leia também: Como realizar o manejo de animais com hemorragia interna

Redação Secad
Matéria por

Redação Secad

O melhor conteúdo sobre a sua especialidade.

Tele-Vendas

(51) 3025.2597

Tele-Vendas Liga

Para você

Informações

(51) 3025.2550