Atenção básica: como a suplementação nutricional contribui com a segurança alimentar

  • abril/2021
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Os índices de pobreza, que já vinham em crescimento no Brasil, foram agravados pela pandemia. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o contingente de brasileiros que vivem com menos de R$ 260 por mês saltou de 9,5 milhões em agosto de 2020 para 27 milhões em fevereiro de 2021.

A alta de preço dos itens da cesta básica agrava a rotina nutricional. E é na atenção básica que melhor se observa o impacto do problema na saúde das pessoas, especialmente de crianças e adolescentes.

Por outro lado, o país vive uma epidemia de sobrepeso e obesidade. O Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, indica que uma em cada três crianças está acima do peso.

No centro desse aparente paradoxo está a suplementação nutricional, uma das principais estratégias da atenção básica para contornar o déficit alimentar da população.

Conheça o Programa de Atualização em Medicina de Família e Comunidade, desenvolvido em parceria com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.

Dieta brasileira e ultraprocessados

Uma das principais razões para o aumento de peso dos brasileiros é o excesso de alimentos de má qualidade, o que leva a uma legião de “obesos desnutridos” – conforme definição de Maria Inez Padula Anderson, diretora-científica da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade (SBMFC).

“São adolescentes e crianças apresentando deficiências qualitativas relacionadas à nutrição, provocadas por uma alimentação baseada em alimentos processados, poucas frutas, poucas verduras, muita fritura e refrigerantes.”

Alimentos assim são considerados “vazios nutricionais”. Por isso, geram acúmulo de sódio, açúcares e gorduras, sem benefícios ao metabolismo. Quando há o consumo regular desses itens, o corpo apresenta deficiências nutricionais, podendo levar a doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

Em casos assim, a suplementação pode ser indicada como estratégia à prevenção de doenças e reequilíbrio do organismo. Na infância, o desenvolvimento físico e cognitivo também depende de nutrição adequada – que pode ser potencializada pela ingestão de suplementos adequados.

Na opinião de Maria Anderson, antes de recorrer a qualquer suplemento, recomenda-se o consumo dos nutrientes diretamente de alimentos como feijão e arroz, acrescidos de uma proteína, verduras e legumes de cores diferentes.

Os elementos compõem a “dieta brasileira”, assim classificada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP), em seu Guia Alimentar para a População Brasileira. “Ela seria suficiente para garantir o suprimento da maioria das necessidades. Mas infelizmente uma grande massa de crianças brasileiras não consegue comer uma ou mais de uma vez ao dia”, explica.

Como orientar a suplementação nutricional

Segundo o Caderno NutriSus, do Ministério da Saúde, a deficiência nutricional de maior magnitude no país é a anemia. A população mais vulnerável são as crianças com menos de 2 anos, que precisam de maior ingestão de ferro para o crescimento. Além disso, a deficiência de outros micronutrientes prejudica o metabolismo do mineral.

Daí a importância da suplementação profilática de ferro, indicada a pacientes com idade de 6 a 24 meses, gestantes e mulheres no pós-parto. A medida deve se basear no Programa Nacional de Suplementação de Ferro, e na fortificação das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico – ação definida pela Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC) nº 344, de 13 de dezembro de 2002.

Outro problema tipicamente brasileiro é a privação de Vitamina A, que acomete 17,4% de crianças menores de 5 anos, e de Vitamina B1. Nesse sentido, o NutriSus orienta como estratégia a suplementação com sachês distribuídos e gerenciados pela atenção básica às creches comunitárias. A fórmula deve ser acrescida à merenda escolar, e cabe às unidades básicas de saúde o armazenamento e orientação sobre o manejo da solução.

Papel da atenção básica na segurança alimentar

Mestre em Saúde Pública, a porta-voz da SBMFC destaca as principais estratégias da saúde da família para manter a segurança alimentar de crianças e adolescentes:

  • Diagnóstico: por busca ativa, deve-se identificar populações vivendo em pobreza ou extrema pobreza, a fim de prestar cuidado especial às crianças e garantir que as iniciativas governamentais voltadas ao combate destas situações cheguem ao seu destino – como o Bolsa Família. O objetivo é, também, identificar famílias que vivem em contexto de violência intrafamiliar, o que pode aparecer na desnutrição infantil, configurando negligência.
  • Educação em saúde: desenvolver práticas de educação alimentar saudável, considerando a realidade de vida da população local, tanto para adultos como para crianças e adolescentes, incluindo ações como a criação de hortas comunitárias.
  • Conscientização sobre aleitamento: deve ganhar destaque o papel dos profissionais das equipes de saúde da família na promoção do aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade, apoiando mães e famílias no entendimento desses benefícios à criança e à nutriz. Além disso, procura sanar dúvidas quanto ao direito de amamentar em segurança e sem a perda de direitos trabalhistas.

Por fim, Maria Anderson atribui o protagonismo da atenção básica à capacidade de atuar in loco e promover ações de educação, proteção e recuperação da saúde. “Trata-se de um modelo exitoso.”

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