Cetoacidose diabética: abordagem de pacientes pediátricos na emergência

  • outubro/2018
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cetoacidose diabética em crianças

 A diabetes melito (DM) do tipo 1 é caracterizada pela hiperglicemia crônica. Na prática, a disfunção do sistema endócrino eleva os níveis de açúcar no sangue, gerando severas alterações metabólicas. Quando a condição persiste por semanas, o corpo realiza esforços compensatórios. Esse processo acaba desequilibrando o organismo e resulta em um quadro conhecido como cetoacidose diabética (CAD).

A doença se caracteriza pela falta absoluta ou relativa de insulina, hiperglicemia, desidratação, perda de eletrólitos, acidose metabólica e cetose – condições que se iniciam pelo descontrole ou por omissão das doses de insulina. O quadro de cetoacidose diabética é a principal causa de morte em crianças diabéticas e tem alta incidência de admissão em emergências pediátricas.

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Não raro, pacientes com CAD sofrem edema cerebral, aumentando em 64% as chances de letalidade da doença. A prevenção da morbimortalidade, portanto, é o foco principal do atendimento.

O primeiro passo para iniciar o tratamento consiste na identificação do fator desencadeante da CAD, a partir da avaliação dos sintomas manifestados pelo paciente pediátrico. Comumente, as crianças apresentam boca seca, aumento do volume de urina, mal-estar, vômitos e dor abdominal. O aumento dos níveis de glicose e hálito com cheiro de acetona, causado pela ação das cetonas no sangue, são indícios que auxiliam na determinação da CAD.

Quando os casos evoluem para edema cerebral, os sintomas são: resposta anormal a dor, postura de decorticação, paralisia de nervos cranianos e padrão respiratório anormal. No entanto, esses sinais só aparecem entre 4 a 12 horas após o início do tratamento – fator que exige monitorização constante.

Exames de referência

A confirmação do comprometimento do paciente com quadro de cetoacidose diabética se dá por exames laboratoriais. Na admissão, são indispensáveis exames de ureia e creatinina, além de hemograma completo. Em seguida, devem ser aplicadas análises de glicemia capilar (repetida de hora em hora nas primeiras 12 horas), além da cetonemia a cada 6 horas. Eletrólitos, osmolaridade sérica e glicosúria (cetonúria) também devem ser acompanhados.

Tratamento da cetoacidose diabética

Cada unidade de saúde deve estabelecer o próprio protocolo de manejo para a cetoacidose diabética na infância, de acordo com as condições operacionais do local. Mas, em geral, o tratamento começa pela estabilização hemodinâmica, seguida de reposição hídrica. Na sequência, a insulinoterapia é administrada através de acesso EV exclusivo.

O uso de infusão contínua de insulina associado à reposição hídrica de soluções isotônicas é capaz de preservar a osmolaridade plasmática, prevenindo o edema cerebral.

Após a estabilização do paciente e da terapia inicial, inicia-se um longo processo até que o metabolismo se adapte novamente. Nas duas primeiras semanas após a cetoacidose diabética, é notável a necessidade de doses aumentadas de insulina, bem como das quedas repentinas nos níveis desse hormônio.

É indispensável garantir que os parâmetros de potássio não oscilem. A equipe médica também precisa monitorar a regulação de sódio, que deve ficar em torno de 150 mg. As orientações são de Jeferson Piva, professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele também é chefe do Serviço de Emergência e Medicina Intensiva Pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e organizador do Programa de Atualização em Terapia Intensiva Pediátrica (PROTIPED), do Secad.

Em entrevista exclusiva ao Secad, Piva explica outras condutas necessárias durante o manejo de pacientes com quadro de cetoacidose diabética. Confira o vídeo:

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