Como realizar suturas corretamente

  • outubro/2020
  • 492 visualizações
  • Nenhum comentário
suturas

As suturas são o ato de aproximar tecidos histológicos mediante a utilização de instrumentos cirúrgicos. Tradicionalmente, o procedimento é realizado através da confecção de pontos com fio cirúrgico, mas existem alternativas como colas, selantes, adesivos e grampos específicos para a intervenção.

Ainda que algumas opções mais modernas possam oferecer bons resultados, a técnica clássica assegura o melhor prognóstico ao paciente. Para que o desfecho seja favorável, é necessário que procedimento seja executado valendo-se dos métodos e materiais mais adequados.

Além de se preocupar com as técnicas e equipamentos, o médico cirurgião deve estar atento à antissepsia, à apresentação das bordas da ferida e à hemostasia. São esses fatores, afinal, que permitem a reconstrução completa dos tecidos. Sem esses cuidados iniciais, a sutura não promoverá seus três efeitos essenciais: cicatrização primária da ferida, recobrimento das estruturas em planos inferiores e efeito hemostático.

Por ser um processo repleto de variantes, é fundamental que o profissional da saúde conheça todas as opções disponíveis para fazer a melhor escolha.

Escolha dos fios cirúrgicos

Os fios podem ser sintéticos ou orgânicos, monofilamentares ou multifilamentares, absorvíveis ou não absorvíveis. Considerando as características da lesão e as exigências da técnica de sutura, o cirurgião precisa optar pelas seguintes particularidades: resistência tênsil igual a dos tecidos, menor calibre possível, flexibilidade e baixa reação tecidual.

A recomendação geral é de que se recorra sempre ao menor calibre, mas cada região estrutura responde melhor à uma determinada espessura, de acordo com os parâmetros a seguir:

>> Oftalmologia e microcirurgia: entre 7.0 e 12.0

>> Face, pescoço e vasos: 5.0

>> Mucosas, tendões e pele na região do tronco: 4.0

>> Intestino e pele nas extremidades: 3.0

>> Fáscia e vísceras: 2.0

>> Parede abdominal e ortopedia: entre 0.0 e 3.0

Técnicas e indicações

Conforme o Manual de Técnica Cirúrgica,  publicado em 2017 pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o método de reconstrução depende do estado do paciente, do grau e do local da lesão e também do objetivo imediato. O documento apresenta seis técnicas principais, classificando-as entre básicas e contínuas e recomendando a sua aplicação conforme cada caso.

 Nas suturas básicas, os fios são fixados separadamente e a tensão varia de acordo com a necessidade de cada ponto. A técnica é considerada mais segura, uma vez que o rompimento de um ponto não compromete toda a operação. Além disso, as suturas básicas também são menos isquemiantes e conferem maior permeabilidade à ferida.

Nas suturas contínuas, por outro lado, o fio é passado do início ao fim sem interrupções. Sua execução é mais rápida e seu efeito hemostático é maior, mas podem ser estenosantes e impermeáveis. Além disso, todo o procedimento será perdido se houver rompimento.

Dentro desses grupos, o Manual de Técnica Cirúrgica apresenta as seguintes alternativas:

>> Ponto simples e simples invertido (básica): são os pontos universais, indicados principalmente para suturas na derme. Aqui, a distância entre a borda e a entrada ou saída do fio deve ser a mesma. Também é preciso incluir a epiderme e derme de forma homogênea entre os lados.

>> Ponto U Vertical (básica): trata-se de uma associação de dois pontos simples, recomendado para hemorragias subdérmicas e dérmica. Cada lado das bordas é perfurado duas vezes, com a primeira transfixação ocorrendo a até 10mm da borda, incluindo pele e camada superior do subcutânea. A segunda transfixação, por sua vez, deve ser transepidérmica, a 2mm da borda.

>> Ponto em X (básica): o fio é passado em um lado da incisão, e, na sequência, em um nível abaixo nas duas bordas. Ao final, o fio é passado em mesmo nível inicial, na borda oposta. O método é ideal para fechamento de paredes e suturas de aponeurose, músculos e couro cabeludo.

>> Ponto chuleio simples (contínua): confecção de pontos simples, seriados e sem interrupção. O nó é realizado no início e no final da sutura. Indicado para sutura de vasos, peritônio, músculos e tela subcutânea.

>> Intradérmica (contínua): a agulha passa horizontalmente através da derme superficial, paralelo à superfície da pele, aproximando as bordas. O fio deve ser cruzado, podendo ainda ser exteriorizado, com ou sem nó externo, nas duas extremidades. Recomendado para feridas com pouca tensão.

Redação Secad
Matéria por

Redação Secad

O melhor conteúdo sobre a sua especialidade.

Tele-Vendas

(51) 3025.2597

Tele-Vendas Liga

Para você

Informações

(51) 3025.2550