Hemorragia pós-parto: como controlar a atonia uterina

  • julho/2017
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atonia uterina

A hemorragia pós-parto é a maior causa de morte materna no mundo. O sangramento vaginal intenso responde por 30% dos óbitos – o que equivale a um falecimento a cada 150 mil partos. A cada ano, mais de 70 mil mulheres morrem enquanto dão à luz. E o pior: metade dessas mortes poderia ser evitada se o diagnóstico e o tratamento do problema (quase sempre é a chamada atonia uterina) fossem feitos de maneira rápida e eficaz.

Durante o quarto período do parto, quando a placenta já foi expulsa e o bebê nasceu, o organismo usa de mecanismos hemostáticos para evitar o sangramento excessivo (miotamponamento, trombotamponamento, indiferença miouterina e contração uterina fixa). No entanto, quando esses mecanismos falham, o útero não consegue contrair o suficiente para comprimir os vasos sanguíneos.

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Seja por um parto demorado ou por conta de um bebê acima do tamanho normal, o órgão pode ficar “cansado” – tal como um braço que, depois de um logo período de esforço, fica exausto e sem forças. A fadiga do útero é tão grande que ele acaba não funcionando como deveria. Eis aí a principal razão para a hemorragia conhecida como atonia uterina.

Integrante da equipe de Obstetrícia e Medicina Fetal do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o médico Romulo Negrini é autor de um artigo recente sobre o tratamento para casos desse tipo. O material está presente na atualização em Ginecologia e Obstetrícia, produzida pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

“Se as estatísticas mostram que 50% das mortes por hemorragia pós-parto poderiam ser evitadas, é importante que os médicos compreendam a dimensão do problema para que possam tratá-lo da maneira mais correta”, afirma Negrini, que também é professor e doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP).

Atonia uterina: protocolo de tratamento

Uma série de variáveis pode apontar o risco de atonia uterina. Durante o pré-natal, diagnósticos de polidrâmnio, gestação gemelar e macrossomia fetal são suficientes para revelar predisposição ao problema. Além disso, a contração do útero também pode ser comprometida caso a mãe tenha mais de 35 anos de idade, miomas uterinos ou obesidade. “Essas situações indicam atenção especial dos obstetras no quarto período”, recomenda Negrini.

O uso indiscriminado de ocitocina no terceiro período do parto também é capaz de desencadear o problema. “É preciso evitar medicações que promovam muito esforço do útero durante o parto, para que ele tenha força e contraia no momento de fechar os vasos uterinos”, acrescenta o médico.

Caso o sangramento vaginal pareça intenso – perda sanguínea maior que 500 ml – no quarto período do parto, Negrini explica que a conduta clínica tem de ser “rápida, correta e coordenada, de forma protocolar e sequencial”. “A primeira coisa é introduzir soro fisiológico na veia da mãe para repor o volume de sangue perdido e manter a perfusão dos órgãos”, indica.

Em seguida, o profissional inicia uma massagem uterina externa, medida que pode ser ampliada para a parte interna ainda na sala de parto e em condições de analgesia. A primeira ação consiste em estimular o fundo uterino pela via abdominal; já na segunda, uma das mãos age pela via abdominal, estimulando o aspecto posterior do útero, enquanto a outra age via vaginal, fazendo-o em seu aspecto anterior. O procedimento é realizado a cada 10 minutos ao longo de uma hora. Medicações uterotônicas (aqui, sim, a ocitocina) e balões hemostáticos intrauterinos são alternativas à massagem.

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Na falha de todos esses procedimentos, o médico terá que optar por intervenção cirúrgica. Nesse caso, existem três procedimentos-padrão: suturas uterinas hemostáticas; desvascularização pélvica; ou histerectomia, quando o útero é retirado. “Se essa for a última forma de salvar a vida da mãe, assim deve ser”, complementa o profissional do Hospital Israelita Albert Einstein.

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