Brasil enfrenta falta de sedativos utilizados no combate ao coronavírus

  • agosto/2020
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falta de sedativos

Cinco meses depois da declaração de pandemia de coronavírus, o Brasil enfrenta um quadro de falta de sedativos e anestésicos utilizados no tratamento da Covid-19. Já em junho o Comitê de Operações de Emergência de Saúde Pública alertou o Ministério da Saúde (MS) sobre a diminuição significativa dos estoques de 267 insumos – incluindo medicamentos desta categoria.

Agora, a situação é ainda mais delicada. Um levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) indicou que os fármacos utilizados no processo de intubação estão com sobrepreço de até 287%, comprometendo boa parte do orçamento dos hospitais.

A combinação desses fatores dificulta o combate ao coronavírus. Sem os remédios, a intubação se torna extremamente desconfortável, podendo ser até mesmo inviável.

Saiba mais sobre o panorama da distribuição dessas substâncias e confira as principais orientações da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) e do Ministério da Saúde quanto ao racionamento.

Fim dos estoques e dificuldade na compra

A pesquisa do Conass analisou dados de compra e consumo em mais de 1,5 mil estabelecimentos de saúde. De acordo com o levantamento, a demanda por sedativos e anestésicos durante a pandemia é tão alta que, no período de 30 dias, equivale ao consumo dessas substâncias durante todo o ano de 2019.

Em entrevista ao G1, o assessor técnico do Conass, Heber Donis, afirmou que pode haver um colapso se não forem feitas grandes aquisições ou adotadas medidas de racionamento. “Isso vai acarretar na impossibilidade de intubação”, alertou.

O Conass ainda apontou um aumento desproporcional no preço de diversos fármacos. O sedativo midazolam, por exemplo, ficou 287% mais caro. Enquanto isso, o valor do bloqueador neuromuscular atracúrio subiu 197%, e do relaxante muscular suxametônio, 120%. Remédios como fentanila, cisatracúrio e pancurônio também têm situação similar, além de estarem em falta na maioria dos centros de saúde.

Orientações para o racionamento e soluções emergenciais

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) elaborou um manual com recomendações para o uso racional dos sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares durante a pandemia.

De acordo com a SBA, cada estabelecimento deve reavaliar suas técnicas anestésicas, criar uma lista individual com as drogas em risco de desabastecimento e substituí-las sempre que possível por substâncias sinérgicas.

A sociedade também disponibilizou uma tabela com prescrições alternativas e orientou hospitais a manterem o diálogo constante com entidades médicas e órgãos governamentais.

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O Ministério da Saúde, por sua vez, reconheceu a gravidade da situação e informou, em entrevista ao UOL, que está trabalhando em três iniciativas para mitigar o problema: a requisição administrativa, o pregão via Sistema de Registro de Preços e a cotação para compra internacional.

Por enquanto, a recomendação é que os hospitais notifiquem a Câmera de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) sempre que o valor de algum remédio ultrapassar o teto estabelecido pelo órgão regulador.

As futuras ações do Ministério da Saúde serão baseadas na coleta de dados realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na segunda quinzena de agosto, a agência publicou um Edital de Chamamento convocando todas as empresas detentoras de registros dos medicamentos em falta a fornecer informações diárias sobre fabricação, importação e distribuição.

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