Conheça os riscos das ondas de calor e saiba como orientar pacientes

  • novembro/2020
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Temperaturas muito elevadas não causam apenas desconforto. As ondas de calor também geram impactos significativos na saúde – especialmente em idosos, crianças e doentes crônicos. O clima tropical do Brasil e a chegada do verão apenas intensificam essas preocupações.

Durante a estação mais quente do ano, é comum os termômetros ultrapassarem os 40 graus em diversas regiões do país. Tamanho calor é suficiente para provocar danos como insolação, insuficiência cardíaca e lesão renal aguda por desidratação.

Desde 2016, o periódico The Lancet publica um dossiê anual intitulado Contagem Regressiva: Saúde e Mudanças Climáticas, Acompanhando a Evolução. O relatório apresenta problemas ecológicos decorrentes do aquecimento crescente, assim como o impacto das altas temperaturas na saúde da população. Segundo o documento, as ondas de calor colocaram 220 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade somente em 2018.

Não existem indícios de que esse padrão seja revertido em curto prazo. Logo, é essencial que o profissional de saúde entenda os riscos decorrentes das ondas de calor, reconheça os sintomas de cada condição e saiba como manejar os quadros da melhor maneira, além de instruir seus pacientes em relação à prevenção.

Para diagnosticar e orientar os pacientes com precisão, conheça a Atualização em Clínica Médica desenvolvida com a Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM).

Impactos do calor no corpo humano

As reações ao calor dependem da capacidade de adaptação dos indivíduos, assim como das eventuais condições clínicas pré-existentes. Em entrevista ao portal do Hospital Santa Lúcia Sul (HSLS), de Brasília, o médico intensivista Luciano Lourenço, coordenador da emergência do HSLS, explica que os quadros de superaquecimento iniciam com alterações na transpiração e na pressão arterial.

Segundo ele, a primeira etapa de todos os possíveis desdobramentos é a transpiração excessiva e a alteração da pressão. Com o corpo aquecido, há uma maior vasodilatação – o que gera hipotensão. Para retomar seu equilíbrio, o corpo acelera os batimentos cardíacos, elevando a pressão arterial e provocando ainda mais suor. Nesse momento, surgem náuseas e dores de cabeça. Se o indivíduo permanecer exposto ao calor, o organismo pode não ser capaz de compensá-lo, alcançando a hipertermia.

Conforme a situação, surgem quadros de insolação e estresse ou exaustão térmica. Ao tentar controlar pressão, temperatura, batimentos e respiração, o corpo fica sobrecarregado – e as complicações se tornam evidentes. As consequências mais frequentes são alterações no fluxo sanguíneo e no ritmo cardíaco, insuficiência real, acúmulo de líquido nos pulmões, inchaço dos membros e degeneração do tecido muscular. Em casos mais graves, o paciente pode ter desmaios, perder a consciência e até entrar em coma.

Óbitos são mais raros, e acontecem principalmente devido ao agravamento de doenças infecciosas ou crônicas. O médico intensivista também lembra dos efeitos na pele, como rubor, rush cutâneo e queimaduras intensas.

Tratamento para crises

Com o paciente em superaquecimento, o primeiro passo é facilitar a dispersão do calor. Para isso, substituem-se as vestes por outras mais leves e ventiladas. Durante o atendimento, o indivíduo precisa permanecer em ambientes de temperatura controlada, com ou sem ar-condicionado, evitando trocas bruscas.

Havendo desidratação, o profissional da saúde deve realizar a reposição de líquidos por via oral. Caso os resultados não sejam suficientes, pode-se recorrer a via intravenosa. Quando as alterações de pressão arterial se mantiverem presentes, o ideal é introduzir terapia medicamentosa ou com soro. Hipotensões podem, inclusive, ser tratadas com reposição volêmica.

Se o paciente apresentar acometimento respiratório, o médico deve avaliar a origem da infecção (vírus, bactérias, fungos ou broncopatia sem presença de micro-organismos) antes de indicar qualquer alternativa terapêutica.

Cuidados preventivos

Em estações de calor, o profissional da saúde tem de orientar a comunidade sobre a exposição ao sol, recomendando que se evite o período entre as 10h e as 16h. É importante lembrar da necessidade de reaplicar filtro soltar constantemente, assim como de utilizar chapéus. Por fim, alerta-se para a hidratação e alimentação: o correto é intensificar o consumo de água e frutas. Também é melhor optar por banhos frios e garantir a ventilação dos ambientes.

Redação Secad
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