Parada cardiorrespiratória em pacientes de trauma: por que a abordagem multidisciplinar é fundamental

  • junho/2021
  • 1323 visualizações
  • Nenhum comentário

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Em seguida, aparecem nas estatísticas câncer e acidentes automobilísticos com trauma. Nos hospitais e unidades de saúde, não raramente os pacientes de trauma cursam com parada cardiorrespiratória (PCR). A complexidade desses casos exige abordagem multidisciplinar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o trânsito brasileiro é o quarto mais violento das Américas. Um agravante nesse contexto é o fato de que, além das lesões causadas pelo acidente, complicações como a parada cardiorrespiratória podem deixar sequelas ou mesmo levar à morte. Afinal, a carga de estresse sofrida pelo organismo no evento pode levar o coração a parar de bater.

Abordagem do paciente de trauma com PCR

Muitos casos de PCR ocorrem ainda no local do acidente. Nesses momentos, as equipes de atendimento pré-hospitalar (APH) respondem pelas manobras de reanimação. Ainda assim, não é incomum que alguns indivíduos sofrerem a PCR somente após a chegada à emergência. Em situações assim, as equipes multidisciplinares precisam reanimar o paciente já em ambiente hospitalar. Trata-se, na verdade, da primeira conduta a ser adotada.

Depois de reanimada, a pessoa deve passar por uma avaliação cuja finalidade é revisar se a causa foi identificada durante a parada – averiguando se a origem é uma cardiopatia prévia ou uma PCR isolada, motivada pelo trauma.

Indivíduos que sofrem intoxicações, por exemplo, podem evoluir para um trauma, pois o efeito da substância deixa a pessoa vulnerável a quedas. Outra associação possível entre PCR e trauma é a hipovolemia. A perda anormal do volume de sangue, causada por uma lesão traumática, está entre as causas mais comuns de PCR.

Ferramentas ágeis para diagnóstico e contenção

Na abordagem de parada cardiorrespiratória, é imperativo encontrar a causa, inclusive quando associada a um trauma. Uma forma ágil de identificar o que provocou a PCR é o esquema mental 5H 5T. O 5H refere-se a fatores como hipovolemia, hipóxia, H+ (acidemia), hipotermia e hipocalemia. Já o 5T aponta causas como o tamponamento cardíaco, tromboembolismo pulmonar, trombose coronariana, tóxicos e tensão no tórax.

Ao identificar qualquer uma dessas condições, é necessário promover o procedimento inicial específico de cada quadro. Em caso de pneumotórax, comum em vítimas de trauma, é preciso proceder com a toracocentese. Muitas vezes, pacientes de trauma precisam de intubação.

A etapa seguinte foca na estabilização e na conduta definitiva das complicações mais graves. Nesse momento, é observado se o paciente exige indicações cirúrgicas por consequência do trauma, como hemorragia, evisceração, entre ouros fatores.

Indicação cirúrgica: como proceder

Caso seja prevista intervenção cirúrgica, um médico emergencista e apto para tratar casos de trauma decide e planeja o procedimento. Aqui, entra em cena o conceito de contenção de danos – ou damage control. Ainda que não seja a terapêutica definitiva, a cirurgia é feita para controlar as lesões iniciais do trauma.

“Cirurgias assim ocorrem em dois tempos. Primeiro, opera-se a parte mais grave para estabilizar complicação. Em seguida, o paciente é encaminhado para a UTI e, num segundo momento, será operado quando estiver mais estabilizado, para cirurgia definitiva”, explica o especialista em clínica médica e nefrologia Felipe Magalhães, coordenador da Comissão de Residência Médica do Hospital Federal da Lagoa (Corene/RJ).

Ainda que seja contornado o trauma, não se deve esquecer a PCR. É nesse ponto que a equipe multidisciplinar avalia como o paciente se recuperou da parada cardíaca, tendo em vista que não existe padrão de reabilitação. “Não há um conceito geral, mas a equipe precisa entender se a PCR foi um mecanismo potencialmente gerador de sequelas, se durou muito ou foi momentânea, e se foi resolvida rápido”, salienta Magalhães, que também é diretor médico e de qualidade de conteúdo do Jaleko.

Competências para atuar com vítimas de trauma

O atendimento às vítimas de trauma requer conhecimentos específicos e da atuação de uma equipe multiprofissional. “É imprescindível que toda equipe esteja atenta e treinada para as particularidades de cada paciente”, destaca o especialista.

Nesse cenário, a atualização profissional deve fazer parte da rotina de quem atua no setor. Com a educação continuada, os médicos ficam por dentro das mais recentes evidências científicas pertinentes à assistência. É o caso do programa Advanced Trauma Life Support (ATLS), do Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões. O material é adotado em diversas regiões do mundo normatiza as revisões periódicas dos preceitos do atendimento ao paciente traumatizado.

Quer mais conteúdo? Conheça os Programas de Atualização em Medicina do Secad, desenvolvidos em parceria com as principais instituições da área.

 

Redação Secad
Matéria por

Redação Secad

O melhor conteúdo sobre a sua especialidade.

Deixe uma resposta

Tele-Vendas

(51) 3025.2597

Tele-Vendas Liga

Para você

Informações

(51) 3025.2550