Derivação ventricular e cirurgia pré-natal revertem sequelas da espinha bífida

  • novembro/2018
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espinha bífida

Até a terceira semana de gestação, o tubo neural do bebê precisa estar completamente formado. Na estrutura, estão envolvidas as terminações do sistema nervoso e da espinha, permitindo as conexões entre o corpo e o cérebro. Em alguns casos, no entanto, a espinha bífida (uma malformação da coluna vertebral) impede que o tubo neural seja totalmente fechado.

O resultado é que a espinha bífida deixa a medula espinhal exposta, podendo resultar na perda de movimentos, hidrocefalia e incontinência.

Localizada por uma protuberância geralmente na região lombar, a espinha bífida é registrada em pelo menos dois de cada 100 mil recém-nascidos.

A malformação é identificada no ultrassom morfológico, entre a 11ª e a 13ª semana de gestação. O exame ainda determina o nível da condição, que pode ser inofensiva (manifestada por mancha de nascença, protuberância ou excesso de pelos na região lombar) ou levar à meningocele.

No quadro de meningocele, a coluna é dividida, mas a medula espinhal e os nervos não se projetam através da divisão. Por conta do desvio, a medula apresenta uma bolha, fazendo com que a estrutura fique coberta por uma fina camada de pele. Com o funcionamento correto das terminações nervosas, não há risco de comprometimento neurológico.

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Forma aguda da espinha bífida

Quando o defeito atinge a membrana, toda a estrutura é desviada para o local onde não houve o fechamento da espinha. Além de gerar bloqueio nas conduções nervosas entre os membros inferiores e o cérebro, a lesão possibilita que, através da ruptura, se acumule um excesso de líquido no sistema nervoso, gerando hidrocefalia. O quadro, então, é identificado como mielomeningocele.

Após o nascimento, o bebê deve ser colocado imediatamente de bruços para cobrir o local e evitar que uma infecção se instale na fenda das costas. A cirurgia de correção deve ser realizada em até 48 horas, a fim de evitar que a falha provoque lesões na medula e nos nervos. O procedimento cirúrgico não promove a cura da mielomeningocele, visto que o comprometimento neurológico e fisiológico é inevitável.

A implantação de um cateter de derivação ventricular reduz o impacto da forma aguda da espinha bífida. O mecanismo garante a drenagem do líquido cefalorraquidiano (LCR) acumulado no cérebro a partir de uma incisão atrás da orelha do bebê. O procedimento prevê, também, a inserção de um cateter no abdome, com a finalidade de absorver o excesso de líquido da região.

Em seguida, o cirurgião instala uma bomba (válvula) externa nos cateteres. Sempre que o cérebro estiver sobre pressão de líquidos, a válvula aciona o funcionamento dos cateteres. A primeira substituição das válvulas deve ser feita por volta dos dois anos de idade. A próxima troca ocorre, em média, após oito anos. A manutenção adequada afasta os sintomas de hidrocefalia e evita infecções e hemorragias no cérebro.

Tamanha complexidade exige que a criança diagnosticada com espinha bífida seja acompanhada por equipe multidisciplinar desde a gestação. Além do obstetra, os pacientes costumam ser avaliados por neurocirurgião, cirurgião pediátrico, ultrassonografista, psicólogo, assistente social e enfermeiro.

Prevenção e novos tratamentos

A espinha bífida tem origem multifatorial, com influência do ambiente e da genética. Sabe-se, porém, que a deficiência de ácido fólico na gestante é um dos fatores mais associados à condição. Conhecida como vitamina B9, a substância é essencial na formação da medula óssea.  Mulheres que pretendem ter filhos precisam consultar um médico para investigar a necessidade de reposição de ácido fólico antes da gestação, uma vez que o tratamento tardio não reverte os danos.

Há, no entanto, um tratamento inovador desenvolvido pela pesquisadora brasileira Denise Araujo Lapa Pedreira, do Hospital Albert Einstein. Com o auxílio de ultrassonografia, a médica conseguiu identificar o local exato da lesão. Assim, em intervenção pré-natal, torna-se possível dissecar a bolsa e fechar a coluna. A medida tem se mostrado eficaz para evitar a hidrocefalia e suas sequelas.

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