Sinais de dor desafiam diagnóstico em recém-nascidos

  • janeiro/2018
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dor em recém-nascidos

Para os pais, um dos momentos mais aguardados após o nascimento do bebê é acompanhar os primeiros movimentos, expressões e, até mesmo, o choro. Para eles, pode parecer encantador os movimentos ainda trêmulos e a expressão facial contraída nos primeiros instantes de vida. Mas especialistas sabem que esses sinais podem esconder a traumática dor do recém-nascido.

Por ainda não terem linguagem desenvolvida, bebês expressam desconforto por meio de respostas comportamentais e fisiológicas aos estímulos nociceptivos. Além da expressão da criança, a constatação de fenômenos dolorosos na prática clínica é feita pela verificação da frequência cardíaca e respiratória, pela saturação de oxigênio e pela pressão arterial sistólica.

Além de agentes agressivos, como vacinas, teste do pezinho, exames e outros procedimentos vinculados ao nascimento, há ainda os fatores biológicos. Um exemplo clássico é a mielinização incompleta das fibras nervosas, que aumenta o tempo da sensação de dor; e a presença de grande quantidade de neurotransmissores de dor no córtex do feto.

O ambiente, cercado de alertas, sinais, luzes e sons de equipamentos de monitoração, intensifica o desconforto dos bebês. O desafio está em decodificar a linguagem da dor e realizar uma avaliação para o tratamento adequado. Em prematuros, a formação é ainda mais comprometida. Tanto que alguns requerem internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nas primeiras semanas de vida.

Conheça a atualização em Neonatologia desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

A publicação Pediatrics, da Associação Americana de Pediatria (AAP, na sigla original), recomenda a conciliação de medidas simples à beira do leito com os procedimentos invasivos na conduta médica com bebês. O simples fato de colocar o bebê em posição fetal antes de puncionar uma veia ou, ainda, aplicar massagens ou realizar contato com a pele durante exames teria resultado positivo frente ao quadro de dor.

Por outro lado, as sequelas da instabilidade do bebê podem modificar de maneira permanente a organização do sistema nociceptivo, além de potencializar alterações cognitivas, psicossomáticas e psiquiátricas na infância e na adolescência. No Brasil, o Ministério da Saúde criou um manual técnico com protocolos de intervenções ambientais e recomendações para o manuseio da dor e estresse nos recém-nascidos.

Indicação de fármacos: atenção redobrada

A indicação de analgésicos (tópicos, orais ou venosos) também aparece entre as medidas de combate à dor. A única ressalva é para a prescrição individualizada, que deve considerar se o recém-nascido é portador de doenças potencialmente dolorosas ou é paciente de procedimentos cirúrgicos.

O paracetamol, popularmente indicado para procedimentos dolorosos leves ou moderados, é o único anti-inflamatório recomendado para uso neonatal. A dosagem pode variar de 10 a 15 mg/kg, com repetição a cada 6 ou 8 horas no RN a termo; e na dose de 10 mg/kg no prematuro a cada 8 ou 12 horas.

Opióides como morfina, meperedina e citrato de fentanil são menos utilizados em função de contraindicação a depressão respiratória. No entanto, são eficazes para sensibilidade na medula espinhal e ativam as vias corticais descendentes inibitórias da dor. Já os anestésicos gerais e locais têm ainda mais restrições para administração. A lidocaína é indicada para minimizar dores na inserção de cateter central e drenagem torácica, mas uma injeção endovenosa inadvertida (ou excessivas doses) pode resultar em convulsões, depressão respiratória ou disritmias cardíacas.

Redação Secad
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