Pacientes pediátricos: síncopes inspiram atenção

  • outubro/2017
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síncope em crianças

De repente, uma criança normalmente disposta e ativa cai desacordada. Apesar do susto, a situação não parece ser grave. Mas a síncope em crianças – termo técnico para classificar aquilo que comumente é chamado de desmaio –, quando acompanhada de perda do tônus postural, representa cerca de 2% dos atendimentos em prontos-socorros pediátricos. Para identificar a origem e a forma de abordagem diante de um quadro de síncope infantil, a chave é a avaliação física.

Entre 15% a 25% de crianças e jovens com idade de 8 a 18 anos apresentam ao menos um quadro de síncope durante o crescimento. Por não se tratar propriamente de uma doença, mas de uma reação fisiológica, a síncope tem causas externas como principais gatilhos.

Em geral, exposição ao calor, desidratação, esforço físico e até choro, quando demasiado, tendem a diminuir a pressão arterial – reduzindo, assim, o fluxo sanguíneo no cérebro. Anemia, diabetes e doenças cardíacas ainda podem estar por trás do mal súbito. Apesar de ser uma condição momentânea, alguns cuidados são imprescindíveis para o diagnóstico de doenças que podem desencadear uma síncope em crianças.

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Primeiros passos no atendimento de urgência

O tempo que a criança permaneceu desacordada é o primeiro indicativo para o mapeamento do quadro: se for maior que um minuto e vier acompanhado de convulsões, o paciente deverá ser encaminhado imediatamente ao pronto-socorro.

Para eliminar causas desconexas, é importante que perguntar a familiares e acompanhantes quanto ao ambiente, à situação e à posição física em a criança se encontrava antes do desmaio. Hiperextensão do pescoço, emoções, tosse e até mesmo a deglutição podem precipitar uma síncope em crianças. Antecedentes familiares de cardiopatias também são influenciadores.

Testes físicos, cardíacos e neurológicos complementam diagnóstico

O monitoramento constante do paciente poderá prever possíveis alterações, evitando o agravamento do quadro com crises epiléticas, por exemplo. Os sinais vitais do paciente devem ser verificados em dois momentos: ao chegar ao pronto-socorro, em posição supina (ou seja, deitado) e até dez minutos depois; e em posição ortostática, de pé.

Em seguida, a ausculta cardíaca pode revelar sopro e alterações no ritmo cardíaco. Palpação na região do tórax também é indicada para diagnosticar doenças cardíacas estruturais. Devem ser incluídos na avaliação testes de reflexo; e o exame de fundo de olho pode detectar doenças como diabetes e hipertensão. O teste cerebelar, que considera o equilíbrio em marcha, indica se há alterações neurológicas que possam ter causado a síncope.

Apesar de o diagnóstico iniciar pela avaliação cardíaca, para garantir a segurança do paciente, a causa de desmaio mais comum é a síncope neurocardiogênica. Presente em 80% das crianças e jovens que apresentam síncope, trata-se de uma síndrome vasovagal que reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial. Dores extremas, ansiedade, ambientes fechados, medo e até mesmo sustos podem desencadear o quadro e resultar em uma síncope.

Inovações em detecção e tratamento de síncope em crianças

A recomendação para o uso do Tilt Test em pacientes pediátricos aumentou consideravelmente nos últimos dez anos. Nele, é possível observar a origem da síncope e o próprio desenvolvimento do quadro. Para isso, o paciente é colocado em uma maca que altera sua posição. Essa oscilação dos níveis de posturas desencadeia manifestações de desmaio.

A intensão é óbvia: avaliar como a pressão arterial se comporta diante das variações de gravidade. Neste exame, é possível detectar disfunções no sistema cardiovascular (as conhecidas disautonomias). Por reproduzir com exatidão os sintomas de desmaio, a utilização do diagnóstico pelo usa do Tilt Test tem auxiliado a medicina a compreender a origem das síncopes – muitas vezes, até então, não explicadas.

Redação Secad
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