Incidência e tratamento de acidentes com animais peçonhentos

  • outubro/2017
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animais peçonhentos

Acidentes com animais peçonhentos, como aranhas, escorpiões, serpentes e abelhas são comuns no Brasil. E não é à toa: por conta do clima tropical e da diversidade local, o país reúne centenas de espécies desses animais. Em 2016, as regiões Sul e Nordeste foram as que registraram mais casos, com um índice que passa de 90 para cada 100 mil habitantes, de acordo com o Portal Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde e ao SUS.

No país, o número de acidentes subiu de 75.642 para 162.234 entre 2003 e 2013. Em áreas rurais e metropolitanas, a incidência desses eventos tende a ser ainda maior – até porque, em muitos casos, ela sequer é registrada.

Para diagnosticar e tratar acidentes de ofidismo, araneísmo, escorpionismo e erucismo, além de casos provocados por lepidópteros, himenópteros, coleópteros, ictismo e celenterados, a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) elaborou o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. O material é um guia completo voltado a estudantes e profissionais de saúde.

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Confira a seguir as ações de cada veneno e a apresentação clínica de acidentes com aranhas, cobras e serpentes – alguns dos tipos mais recorrentes no Brasil.

Ofidismo: perigo em locais úmidos e atividades agropecuárias

O Brasil possui 75 gêneros de serpentes e cobras, totalizando cerca de 320 espécies. Anualmente, mais de 20 mil casos de acidentes ofídicos são notificados no país – especialmente em épocas de aumento da atividade agropecuária. Em geral, mais de 90% das ocorrências são causadas por serpentes do gênero botrópico; 7,7% pelo crotálico; 1,4% pelo laquético; e 0,4% pelo elapídico.

Em mais de 70% dos acidentes os locais das picadas são os pés e as pernas. Em 13% dos casos aparecem mão e o antebraço. Por isso, a utilização de botas de cano alto e de luvas de raspa de couro (geralmente negligenciadas por quem realiza atividades em áreas “de risco”) faz a diferença na prevenção de novos acidentes.

Animais não venenosos x Animais peçonhentos

É comum que pacientes picados por serpentes não peçonhentas procurem tratamento acreditando se tratar de uma picada venenosa. Por isso, o percentual de casos atendidos em unidades de pronto socorro aumenta significativamente. Na triagem, a identificação correta do animal agressor é o fator que determinará a escolha do tratamento mais adequado.

Para fazer a identificação, o primeiro passo é procurar um orifício entre os olhos e narina (fosseta loreal) presente nas peçonhentas – exceto em corais verdadeiras. No que diz respeito à presença de fosseta loreal, as corais verdadeiras são exceção à regra, já que, mesmo sendo peçonhentas, não apresentam esse orifício.

Os acidentes botrópicos, causados por serpentes como jararaca e urutu (comuns em locais úmidos, como margem de rios, lagoas e hortas) são responsáveis por cerca de 90% dos casos ofídicos. Geralmente, os sinais e sintomas aparecem depois de uma a três horas da picada, fazendo com que o quadro clínico varie de acordo com a quantidade de veneno injetada e a idade da serpente.

O primeiro sintoma é dor local – que pode ou não ser acompanhada de equimose, eritema e edema. Depois, podem surgir flictenas e necrose de partes moles. Pacientes grávidas inspiram mais cuidados, mesmo em casos leves, devido ao risco de sangramento e aborto.

A partir dos eventos moderados e graves, o veneno pode agir diretamente nos rins, com formação de microtrombos nos capilares e, consequentemente, provocar isquemia e/ou insuficiência renal aguda (IRA). O tratamento leva soro antibotrópico, que deve ser aplicado imediatamente. A dose varia de acordo com a classificação do acidente.

Araneísmo: perigo no campo e na cidade

Acidentes com aranhas costumam ser bem mais comuns quando comparados a outros animais peçonhentos, até porque elas vivem tanto em ambientes silvestres quanto em grandes cidades. Aranhas conhecidas como armadeira e aranha de jardim (ou tarântula) são algumas das mais famosas. A armadeira, que pertence ao gênero phoneutria, é responsável pela maioria absoluta dos acidentes.

Os insetos desse gênero são capazes de dar saltos de até 30 centímetros quando atacam e vivem próximas a residências, em bananeiras, montes de entulhos e até mesmo dentro de sapatos, caixas e armários. O veneno produzido por elas tem ação neurotóxica. No acidente leve, há apenas dor intensa, com ou sem irradiação.

Já no acidente moderado a dor é mais forte e ocorrem náuseas, vômitos, dor abdominal, sialorreia, ansiedade, sudorese e hipertensão arterial (HTA). Nos acidentes graves, por sua vez, o paciente apresenta também hipotensão arterial, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca (IC), edema pulmonar, convulsões e até mesmo coma. Mas esse evento costuma ser raro. Quando ocorre, acomete basicamente crianças.

Casos leves são tratados com analgésicos comuns, anti-inflamatórios, opioides ou bloqueio anestésico. O que determina a escolha do tipo de medicamento é a intensidade e a refratariedade da dor. Caso as drogas não façam efeito, é possível administrar cinco ampolas de soro específico. A soroterapia específica é indicada também a casos moderados e graves, na posologia de cinco a dez ampolas de soro antiaracnídeo, por via intravenosa.

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