Saúde mental: como trabalhar o luto em crianças

  • junho/2021
  • 2073 visualizações
  • Nenhum comentário

De maneira geral, a perda de pessoas próximas é um processo que costuma ser negado. Quando envolve crianças, essa negação acaba por privá-las de experimentar o luto, algo fundamental para superá-lo. A psicologia considera importante viver a ausência, para que não restem traumas futuros atrelados à inibição de sentimentos. Nesse contexto, deve-se considerar que a morte, para meninos e meninas, pode levar à interrupção de sonhos, expectativas e projetos de vida.

Na maioria das vezes, o processo de perda é dinâmico e desencadeia uma série de mudanças. Entre as reações mais evidentes estão medo, desânimo e negação da realidade. Logo, o psicoterapeuta deve encontrar a melhor maneira de restabelecer a comunicação com o indivíduo, a fim de que ele possa se expressar, demonstrando sentimentos como tristeza, raiva e culpa.

Nesse ponto, vale destaca a criação de um espaço seguro de expressão, no qual a criança esteja confortável a ponto de refletir e falar sobre a morte da pessoa querida. Para conceber esse lugar de escuta e de fala, o profissional deve dedicar um olhar atento ao desenvolvimento cognitivo e emocional do paciente, adotando uma postura flexível e protetora.

Proporcionado pelo terapeuta, o local de segurança pode ser partir de histórias e desenhos cujos temas resgatem vivências do paciente. Deve-se, sempre, considerar a idade da criança para utilizar as linguagens mais adequadas, além do emprego de diferentes tipos de jogos – a fim de que seja possível interpretar assertivamente suas reações a respeito do luto.

Principais métodos terapêuticos pra abordar o luto infantil

É crucial compreender a etapa do desenvolvimento em que a criança está. Segundo o pensador suíço Jean Piaget, expoente da psicologia evolutiva, o indivíduo no período pré-operacional encara a morte como ausência. Ou seja, a criança tende a pensar no falecimento de alguém como um processo temporário, e não como uma perda sem retorno.

Já na fase operacional concreta (dos oito aos 12 anos), o indivíduo tem a percepção de oposição entre a vida e a morte, encarando-a como um fato definitivo. Como atividades lúdicas são ferramentas importantes para o processo de aprendizagem, recorrer a elas ajuda no desenvolvimento da linguagem e estimula a concentração. Assim, as brincadeiras proporcionam a construção de valores que serão levados à vida adulta.

Nesse ponto, o psicoterapeuta deve estar atento aos sinais emitidos pelo paciente. Afinal, a negligência dos sentimentos causada pelo luto pode desencadear problemas como ansiedade, medo, estresse e percepções equivocadas a respeito da morte.

Além disso, o uso da literatura infantil revela-se um trunfo no tratamento do paciente pediátrico enlutado, levando-o a se enxergar nas histórias contadas. Assim, ele se sentirá mais seguro para compartilhar suas próprias vivências.

Continue se aprofundando na área da saúde com os Programas de Atualização do Secad, desenvolvidos em parceria com as principais instituições da área.

Redação Secad
Matéria por

Redação Secad

O melhor conteúdo sobre a sua especialidade.

Deixe uma resposta

Tele-Vendas

(51) 3025.2597

Tele-Vendas Liga

Para você

Informações

(51) 3025.2550