Como funcionam os Programas de Residência para carreira de médico psiquiatra

  • novembro/2018
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residencia médico psiquiatra

A Residência Médica em Psiquiatria está entre as especialidades mais procuradas no Brasil. Em 2017, por exemplo, 4,1% dos residentes do país cursaram a especialização para se tornarem um médico psiquiatra. O dado está na última edição do ranking Demografia Médica no Brasil, divulgado em 2018.

A busca pela especialização é acirrada, mas oferece menos disputa do que áreas como a Clínica Médica (11,2%), a Pediatria (10,3%) e a Cirurgia Geral (8,9%) – as três mais procuradas segundo o levantamento, que avaliou as 54 especialidades médicas disponíveis no país. A Residência Médica em Psiquiatria figura como a 12ª colocada no ranking.

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O ingresso nos Programas de Residência Médica em Psiquiatria acontece por meio de processos seletivos organizados pelas instituições de saúde. Após três anos de estudos e prática, os residentes estão aptos a exercer a função de médico psiquiatra.

Até 2017, o segmento reunia cerca de 10,3 mil profissionais, sendo 55,1% homens e 44,9% mulheres, de acordo com a Demografia Médica.

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Vantagens da residência em psiquiatria para o médico psiquiatra

O primeiro programa brasileiro de Residência Médica em Psiquiatria surgiu em 1948, no Instituto de Previdência e Assistência do Estado (Ipase), do Rio de Janeiro. Em 1951, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) também lançou uma especialização nessa linha.

Apesar disso, a certificação dos programas de residência no Brasil ocorreu apenas a partir de 1977. Desde então, a especialização lato sensu tem crescido – tanto que o Ministério da Saúde incentiva a formação de médicos psiquiatras através do Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas para o SUS, conhecido como Pró-Residência.

A iniciativa seleciona projetos de hospitais universitários federais e hospitais de ensino, além de secretarias estaduais e municipais de saúde. O intuito é estimular a formação de especialistas em áreas prioritárias. A psiquiatria entra nessa lista em razão da prevalência de transtornos mentais na população mundial. Somente a depressão, por exemplo, acomete 322 milhões de pessoas no planeta, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A residência, nesse sentido, deve formar profissionais competentes para atender pacientes com diversos tipos de transtornos, incluindo o uso de álcool e drogas. Daí a importância de um plano pedagógico que prime pelo uso de uma metodologia teórico-prática.

Bolsa e conteúdo programático

Desde 2016, o valor da bolsa concedida aos residentes que almejam a carreira de médico psiquiatra é de R$ 3.330,43, de acordo com a Portaria Interministerial nº 3, do Ministério da Educação (MEC). A resolução também estipula que os residentes devem cumprir uma carga horária de 60 horas semanais, sendo 20% do tempo dedicado a aulas teóricas e o restante destinado ao acompanhamento da rotina médica e às atividades práticas.

Atualmente, o escopo da Residência Médica em Psiquiatria tem um caráter holístico e envolve aspectos da psicofarmacologia, da neuroimagem e da genética. Os três anos de Residência Médica em Psiquiatria abarcam, segundo o MEC, uma carga horária mínima de 2.880 horas anuais.

O currículo divide-se em dois eixos principais, mas os conteúdos diferem em cada etapa. Confira a divisão da grade:

– 1º ano

Programação Didática

  •         Ciências básicas
  •         Avaliação diagnóstica
  •         Terapêuticas biológicas e psicossociais
  •         Ética em psiquiatria
  •         Conhecimentos gerais
  •         Políticas públicas em saúde mental
  •         Psicopatologia geral

Treinamento em Serviço

  •         Estágio em Enfermaria (mínimo de 30% da carga horária anual)
  •         Estágio em Neurologia (mínimo 5% da carga horária anual)
  •         Clínica Médica (mínimo de 5% da carga horária anual)
  •         Estágio Ambulatorial (mínimo de 30% da carga horária anual)
  •         Emergência Psiquiátrica (mínimo de 10% da carga horária anual)
  •         Estágio optativo, à critério da Instituição

– 2º ano

Programação Didática

  •         Ciências básicas
  •         Psicopatologia especial
  •         Psicoterapia
  •         Psiquiatria da infância e adolescência
  •         Abuso e dependência de drogas

Treinamento em Serviço

  •         Emergência em Psiquiatria (mínimo de 10% da carga horária anual)
  •         Interconsulta (mínimo de 10% da carga horária anual)
  •         Estágio em Ambulatório ou CAPS ou NAPS (mínimo de 40% de carga horária anual), com obrigação de desenvolver as seguintes áreas: Dependência Química, Psiquiatria Geriátrica, Psiquiatria da Infância e Adolescência, Ambulatórios Especializados
  •         Psiquiatria geral
  •         Treinamento em psicoterapia (mínimo de 10% de carga horária anual)
  •         Estágio optativo à critério da instituição

– 3º ano

Programação Didática

  •         Ciências básicas
  •         Psiquiatria geriátrica
  •         Psiquiatria forense
  •         Epidemiologia psiquiátrica
  •         Psiquiatria comunitária
  •         Conhecimentos gerais
  •         Metodologia científica

Treinamento em Serviço

  •         Estágio em ambulatório (mínimo de 50% da carga horária anual); sendo psiquiatria geral, ambulatório especializado e área de atuação
  •         Treinamento em psicoterapia (mínimo de 10% da carga horária anual)
  •         Reabilitação (mínimo de 10% da carga horária anual)
  •         Estágio optativo a critério da instituição (mínimo de 10% da carga horária anual)

Ao final da residência, o médico psiquiatra estará habilitado a realizar avaliação psiquiátrica e diagnósticos completos; desenvolver e executar planos terapêuticos; aconselhar e instruir pacientes e familiares; usar tecnologia para embasar as decisões de tratamento e a educação do paciente; e executar todos os procedimentos médicos considerados essenciais para a área.

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