Perspectivas para os trabalhadores na linha de frente da Covid-19 em 2021

  • junho/2021
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Desde o início de 2020, o Painel Coronavírus confirmou o óbito de quase 500 mil brasileiros pela Covid-19. Durante esse período, a saúde mental dos profissionais que atuam na linha de frente da pandemia tem sido amplamente discutida.

O esgotamento de trabalhadores da saúde atingiu um limiar, afetando também a saúde física. A Rede de Pesquisa Solidária estima haver no país mais de 5 milhões de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais – o equivalente a cerca de 2,5% da população.

Dedicada a analisar a saúde desses trabalhadores na pandemia, a pesquisa ProjeThos Covid-19 identificou a incidência de sentimentos ligados ao medo de contaminar colegas e familiares, desgaste mental, sofrimento psíquico, ansiedade generalizada e distúrbios do sono nos participantes. Além disso, são comuns as queixas de fadiga e exaustão física.

“Costumo dizer que tenho um relacionamento abusivo com meu trabalho, ele me paga, me proporciona realizar algumas coisas, mas ao mesmo tempo me destrói. E para ele eu nunca sou boa o suficiente”, relata uma fisioterapeuta participante do ProjeThos. “A sobrecarga pelo número de pacientes graves e pela redução na equipe me gerou fortes dores diárias nas costas… Cada um que sai [do expediente] vira um potencial assassino e destrói o profissional que está lá para cuidar e salvar”, conta um enfermeiro.

Desgastes físicos nos profissionais de saúde

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que a Covid-19 alterou severamente a vida de quem está na linha de frente. As jornadas de trabalho, por exemplo, facilmente ultrapassam as 40 horas semanais. Há, ainda, aqueles que necessitam de mais de um emprego – como é recorrente entre auxiliares de enfermagem e fisioterapeutas, entre outros.

A consequência é o desgaste da saúde física, às vezes duplamente exposta em ambientes hospitalares ou similares. Assim, as jornadas ininterruptas acabam deixando vestígios. Nesse contexto, como se sabe, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são essenciais, especialmente com o uso de roupas específicas e máscaras protetoras. Ao mesmo tempo, o uso dessas indumentárias pode deixar marcas não apenas internas, mas complicações cutâneas em diversas partes do corpo – no rosto, na ponte nasal, nas bochechas e na testa.

Perspectivas para o próximo semestre

Embora a vacinação dos profissionais de saúde tenha evoluído, as perspectivas para o segundo semestre de 2021 ainda deixam muitas dúvidas. O estudo Our World in Data, ratificado pelo vacinômetro do Ministério da Saúde, contabiliza 82 milhões de pessoas vacinadas no Brasil – entre quem tomou as duas doses e quem tomou apenas a primeira. No entanto, o índice de imunização completa é de apenas 11,3% da população.

A saúde física dos profissionais da saúde, portanto, exige atenção, com a ampliação das discussões e o apontamento de alternativas práticas. No setor, há um consenso de que depender de políticas públicas não é suficiente. Logo, gestores institucionais devem considerar a existência de problemas organizacionais crônicos, impulsionados pelo paradoxo entre o trabalho excessivo e a carência de mão de obra qualificada. Para esses trabalhadores, afinal, a orientação de ficar em casa não se aplica.

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