53º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia: retorno presencial após hiato de um ano

  • dezembro/2021
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Entre os dias 25 e 27 de novembro de 2021 a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) realizou a 53ª edição do Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia (CBOT).  Com o objetivo de aproximar profissionais de diferentes áreas e apresentar novas tecnologias da área ortopédica, o evento aconteceu na Transamérica Expo Center em Santo Amaro, São Paulo. Compareceram ao congresso ortopedistas e expositores de diversos pontos do Brasil.

A edição de 2021 do congresso marcou o retorno às atividades presenciais da SBOT. O último grande evento presencial da sociedade de abrangência nacional foi o Exame de Obtenção de Título de Especialista – TEOT – em março de 2020. Assim, após uma 52ª edição realizada on-line, o 53° CBOT veio com a responsabilidade de promover o reencontro entre associados e sociedade, mantendo sempre o alto padrão organizacional esperado pelos congressistas.

Foto 1. Imagem do espaço de palestras do 53º CBOT, durante a palestra sobre o uso crônico de anti-inflamatórios.

 

Em 2021, os cuidados com a ainda vigente pandemia de COVID-19 foram levados em consideração pela direção do evento. Com mais de 6 mil inscritos entre médicos ortopedistas, residentes, acadêmicos de medicina e colaboradores de todo país, houve a preocupação de verificar a realização do esquema vacinal completo pelos participantes. Além disso, um protocolo sanitário especialmente desenvolvido para o evento foi empregado para diminuir a chance de disseminação do vírus.

Dentro da área de exposição, havia cerca de 50 estandes de diversas áreas, entre eles, empresas de instrumental cirúrgico, implantes ortopédicos, equipamentos hospitalares, órteses e literatura médica. Novas tecnologias em materiais de síntese e fixadores externos foram mostrados ao lado de modernos equipamentos de cirurgia robótica e sistemas de imobilizadores ortopédicos. Da mesma forma, marcaram presença representantes da indústria farmacêutica com drogas recentemente desenvolvidas para diversos usos. Também foram realizados sorteios e gincanas com a distribuição de brindes.

No quesito programação científica, o evento cumpriu muito bem seu papel, contando com aulas magnas e atualizações em diversos temas dentro das 13 subespecialidades da ortopedia. Os cursos práticos foram ministrados para aqueles presentes no evento, como o XXVII Curso de Certificação em Tratamento por Ondas de Choque e o workshop Infiltrações na Prática. Dentro das palestras patrocinadas, foram apresentados novos usos de terapias medicamentosas adjuvantes ao tratamento conservador de lesões agudas e crônicas. Houve, também, apresentação de temas livres, de e-pôsters e do Cine SBOT, com vídeos acerca de técnicas cirúrgicas e diagnósticas experimentais para diversos fins.


No dia 25 de novembro, a ASAMI Brasil realizou seu fórum sobre alongamento ósseo em indivíduos de baixa estatura. Foram abordadas as questões médicas e jurídicas acerca desse tipo de conduta. Em pacientes sem alterações hormonais ou genéticas o alongamento pode ser interpretado como procedimento estético, de modo que o ortopedista deve sempre se resguardar legalmente antes de realizar a cirurgia. Além disso, há a necessidade da análise de fatores clínicos e psicológicos do paciente uma vez que é um tratamento complexo, sem reversão e com potencial de complicações osteomusculares e infecciosas. Da mesma forma, houve o enfoque nas técnicas de alongamento ósseo como tratamento de pacientes com transtornos genéticos de crescimento. Como destaque, temos a conduta do Dr. Rodrigo Mota em portadores de acondroplasia, que foi compartilhada com os colegas ali presentes, e enfatizou que o foco do procedimento é capacitar o paciente à realização de suas tarefas diárias e por consequência melhorar sua autoestima e independência. Para isso, são realizadas osteotomias nos ossos longos de membros superiores e inferiores com distração de fragmentos e estabilização por meio de fixadores externos até se obter o crescimento desejado, dentro dos limites de cada segmento.


Nesta edição do congresso os ganhadores de temas livres receberam um prêmio em dinheiro de cinco mil reais. Os trabalhos, divididos em três categorias de estudos, Anatômico, Clínico e Experimental, foram avaliados e premiados ao fim do evento. O Estudo Anatômico Vencedor foi “Análise dos mecanorreceptores e terminações nervosas livres do ligamento transverso do carpo”. O trabalho “Ensaio clínico randomizado sobre a cicatrização após fasciectomia por incisão de Bruner e McCash em pacientes com doença de Dupuytren” recebeu o prêmio de melhor Estudo Clínico. E “Validação biomecânica do planejamento cirúrgico digital tridimensional para osteotomia periacetabular do quadril” recebeu prêmio de melhor Estudo Experimental. Este último, foi desenvolvido pelo grupo de cirurgia do quadril do Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Juiz de Fora e apresentado pelo Dr. Bruno Schroder. O estudo se baseou na realização de análises por imagem dos quadris de pacientes com deformidades acetabulares em acompanhamento pela equipe do IOT e obtenção de seus moldes físicos a partir de impressoras 3D. Com o auxílio de um software especializado, foram calculados os ângulos de corte necessários para correção dos desvios no acetábulo. Assim, com a marcação desses cortes sobre os moldes, foi notado um melhor direcionamento do cirurgião no intraoperatório.


Nas discussões e atualizações sobre fraturas frequentes no cotidiano dos ortopedistas, foram reunidos temas de grande impacto. Destacamos o debate acerca da necessidade de fixação do maléolo posterior nas fraturas do tornozelo e as abordagens póstero-medial e póstero-lateral da articulação pelos palestrantes. Dr. Rogério Bitar ressaltou a importância do estudo de imagem através de Tomografias Computadorizadas para a melhor avaliação da articulação tibiotársica e identificação da extensão dos fragmentos. Os palestrantes demonstraram a necessidade de fixação do fragmento posterior em fraturas a partir do grau 2 da classificação de Bartonicek para as fraturas do maléolo posterior.


Foto 2. Palestra do Dr. Rogério Bitar sobre a fixação do maléolo posterior nas fraturas do tornozelo.

 


Os palestrantes, Dr. Kodi Kojima e Dr. Alex Wajnsztejn falaram sobre o tratamento de fraturas pertrocantéricas do fêmur. Foi debatido acerca de como a competência da parede lateral do fêmur, é importante para a escolha da osteossíntese e sucesso no tratamento. Chamaram a atenção para a distância entre a cortical lateral e o traço de fratura transtrocanteriana, sendo menor do que 20,5mm terá um risco de fratura intra-operatório aumentado, interferindo assim na conduta cirúrgica e escolha do implante. Na vigência deste critério e sem a existência de traço reverso de fratura, há a possibilidade de tratamento com tutor interno extramedular alcançando uma boa taxa de sucesso no procedimento.


Comparecer a um evento dessa magnitude é de grande importância para a atualização profissional do médico ou residente. É possível compartilhar vivências distintas entre os colegas e expandir os conhecimentos obtidos na especialização pelo contato com visões de diferentes escolas. Além disso, temos a oportunidade de ouvir discussões técnicas de alto nível com professores e preceptores que assinam livros-base na formação ortopédica. Por fim, há a chance de aprender e se surpreender com as pesquisas e técnicas divulgadas por outros médicos com o intuito de auxiliar no avanço tecnológico da cirurgia ortopédica no Brasil.

A parte social do evento também é bastante importante. Uma vez que se trata de um encontro nacional, muitos colegas de formação podem se reencontrar durante o CBOT. Os residentes têm uma ótima oportunidade para conhecer antigos membros dos serviços do qual fazem parte e ver como é ampla a especialidade fora das paredes do hospital de origem. Também é possível criar vínculos com colegas de outras instituições, como contatos profissionais ou amizades. Entretanto, por conta das restrições impostas pela pandemia, neste ano não houve festa de encerramento do congresso.

Durante esta edição, havia na área de exposição um estande voltado à apresentação do próximo congresso. O 54º CBOT acontecerá em novembro de 2022, na cidade de Florianópolis. Da mesma forma, a 55ª edição já teve sua sede definida na Assembleia Geral Ordinária realizada antes do evento. Após cinco anos, o evento retornará ao Rio de Janeiro, casa do cinquentenário do congresso. Até lá, a agenda de encontros ortopédicos já está lotada e disponível no site da organização. Cursos de treinamento práticos, encontros nacionais de subespecialidades e de residentes já estão com suas datas marcadas.

Editoria de Ortopedia e Traumatologia
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Editoria de Ortopedia e Traumatologia

Editor-chefe: Bruno Marques. Médico formado pela UNIRIO e Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia pela UFRJ. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e pela Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé). Preceptor da Residência Médica do Serviço de Ortopedia do Hospital Municipal Salgado Filho (HMSF). Cirurgião do Pé e Tornozelo do Centro de Atenção Especializada do Pé do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO).

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