Atuação da Fisioterapia na reabilitação cardiovascular

  • julho/2021
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Foto: Fisioterapia para reabilitação cardíaca/ cardiovascular.A foto mostra em primeiro plano uma bola azul utilizada para exercícios de fisioterapia. A bola está sendo segurada com as duas mãos por uma mulher que aparece em segundo plano, desfocada. Imagem ilustrativa de fisioterapia para reabilitação cardiovascular.

As doenças cardiovasculares estão entre as doenças com maior morbimortalidade no mundo. E são doenças muito prevalentes na população brasileira. As pessoas afetadas apresentam perda na qualidade de vida e frequentemente demandam atendimento, como o que pode ser realizado pela reabilitação cardiovascular.

O fisioterapeuta é elemento importante na reconquista de bem-estar das pessoas afetadas por cardiopatias, coronariopatias e doenças cerebrovasculares. Na prescrição dos exercícios, o profissional deve observar, entre outros fatores, o risco clínico de cada paciente.

Atuação do fisioterapeuta na equipe multidisciplinar

Na reabilitação cardiovascular, o fisioterapeuta atua junto a médicos e enfermeiros capacitados para a abordagem dos quadros clínicos. Em artigo, o pós-doutor em Ciências da Reabilitação pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Marlus Karsten explica que a prescrição dos programas se baseia na abordagem multifocal (exercício e atividade física, controle de fatores de risco, orientação ocupacional, aconselhamento sexual, educação, etc.) e promoção de autonomia.

O atendimento começa pela aplicação de testes ergométrico, cardiopulmonar de exercício ou clínicos, que avaliam as respostas do paciente ao esforço físico. Devem ser medidas as variáveis metabólicas, além de frequência cardíaca, pressão arterial, percepção subjetiva de esforço e saturação de oxigênio.

Segundo Karsten, possíveis limitações físicas – como lesões osteomioarticulares – devem ser consideradas na prescrição dos treinamentos. “Sempre que possível, nós, profissionais, devemos tentar adequar a programação dos exercícios físicos à preferência do paciente”, complementa.

Fatores psicológicos não devem ser ignorados. “Ansiedade, depressão, entre outros comportamentos, também podem constituir fatores limitantes para a evolução do paciente na reabilitação cardiovascular”, afirma o pós-doutor. Nesses casos, o fisioterapeuta deve realizar o encaminhamento para um profissional habilitado a oferecer suporte especializado.

Além de obter conhecimentos específicos sobre as enfermidades, fisioterapeutas precisam se manter atualizados no uso de equipamentos de suporte básico de vida, como o desfibrilador automático externo. A indicação é da mais recente Diretriz Brasileira de Reabilitação Cardiovascular, formulada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Prescrição de exercícios com base no risco clínico

A prescrição dos exercícios ainda deve considerar o risco clínico, classificado em baixo, intermediário e alto – de acordo com o histórico de saúde de cada indivíduo, suas limitações e objetivos do treinamento.

  • Baixo: O treinamento, de longo prazo, pode ser feito em domicílio, com supervisão presencial ou a distância. O objetivo é manter a saúde geral e obter maiores ganhos na aptidão física.
  • Intermediário: Busca o aprimoramento da aptidão física aeróbica e não aeróbica (força muscular, flexibilidade e equilíbrio). O paciente pode realizar o tratamento domiciliar com supervisão profissional indireta.
  • Alto: Estes pacientes devem ser constantemente monitorados – com a verificação de frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio, glicemia capilar e eletrocardiograma – durante os exercícios para permitir a resposta rápida a qualquer sinal de risco. Por isso, o atendimento presencial, em clínica ou ambulatório, por exemplo, é fundamental para garantir a segurança do paciente. O programa deve considerar intensidade, duração, frequência, modalidade de treinamento e progressão adequados às condições clínicas individuais.

É importante ressaltar a necessidade de cuidado especial nos atendimentos remotos ou em domicílio. “Devemos sempre avaliar os recursos que o paciente tem disponíveis em seu domicílio e adaptá-los para que ele possa ter os maiores benefícios do programa de exercício físico”, explica Karsten. Na ausência física do profissional, a execução do treinamento deve ser acompanhada por um familiar, caso seja necessário algum tipo de suporte ou para a rápida reação a intercorrências.

Todos os casos devem passar por reavaliações. E, se for necessário, pela indicação de um novo programa de exercícios. Ademais, é primordial a atuação com foco em promoção de bem-estar, melhora da qualidade de vida e redução do risco de complicações clínicas, como cessação do tabagismo, reeducação alimentar e controle de peso corporal.

A diretriz da SBC indica, ainda, o esclarecimento sobre a doença apresentada, como realizar o automonitoramento e identificar riscos, e a estratégia de reabilitação cardiovascular. Quem compreende sua condição clínica, seus impactos e os benefícios dos exercícios prescritos tende a demonstrar maior aderência ao treinamento.

Os fisioterapeutas também devem orientar todos os pacientes a manterem a administração medicamentosa indicada.

Leia também: Quais exercícios devem ser orientados ao tratamento da hipertensão

Exercícios físicos para reabilitação cardiovascular

Os exercícios físicos devem ocorrer, preferencialmente, em espaços abertos, como pistas de atletismo, ginásios poliesportivos e parques. Ambientes fechados utilizados para as sessões devem conter propriedades antiderrapantes para minimizar o risco de acidentes e quedas.

Para a prática aeróbica, os equipamentos mais utilizados são esteiras rolantes e cicloergômetros de membros inferiores e superiores, remoergômetros, ergômetros de esqui, elípticos, entre outros. Já para o fortalecimento muscular, casos de pacientes mais debilitados demandam, principalmente, o uso do peso corporal para a execução de exercícios como o de sentar e levantar – assistido de um banco ou uma cadeira.

Outros casos dispõem de uma ampla diversidade de recursos, mais comumente pesos livres, halteres e caneleiras com pesos variados, que permitem a execução de diferentes grupos musculares. Barras, bastões, bolas com peso, bolas suíças e faixas ou bandas elásticas com diferentes graus de resistência também são muito utilizados na reabilitação cardiovascular.

Outros exercícios podem ser indicados para melhorar a saúde global, como treinamento isométrico manual e da musculatura inspiratória e para aprimoramento do equilíbrio e da flexibilidade. Qualquer que seja o treinamento prescrito, o fisioterapeuta tem o dever de orientar a execução adequada de todos os movimentos para evitar lesões, assim como pode ocorrer no manuseio dos equipamentos.

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