Abordagem da disfagia: como evitar complicações graves  

  • agosto/2020
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disfagia

A disfagia é uma condição comum nas unidades de terapia intensiva (UTI). No contexto da Covid-19, a dificuldade na deglutição está entre as complicações esperadas em pacientes intubados por longos períodos. Na medicina intensiva, a condição está relacionada a diferentes doenças de base. O tratamento, portanto, depende do diagnóstico assertivo da patologia que a desencadeou.

As principais causas são as doenças pneumológicas e neurogênicas. No primeiro caso, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é comumente associada à disfagia. No segundo, o acidente vascular cerebral (AVC) chama atenção entre as doenças neurológicas que mais geram quadros de problemas na deglutição. Além disso, pacientes oncológicos e vítimas de traumas também podem desenvolver disfagia.

Abordagem da disfagia na UTI

Uma série de fatores na UTI podem desencadear a disfagia. Entre eles, rebaixamento do nível de consciência, traqueostomia e uso prolongado da sonda nasogástrica – ou de tubos endotraqueais. É importante destacar que a disfagia se manifesta de duas formas: a disfagia orofaríngea e a esofagiana.

O distúrbio orofaríngeo afeta a cavidade bucal e a faringe. Nesses casos, o paciente sinaliza dificuldade para engolir, com desconforto na região do pescoço. Condições como AVC, fase terminal de Alzheimer e Parkinson podem ser doenças de base para a disfagia orofaríngea. Pacientes assim podem sofrer com engasgo e regurgitação de líquidos pelo nariz. O quadro pode evoluir para a aspiração e até levar à morte.

Já na disfagia esofagiana a dificuldade de passagem do alimento ocorre após a deglutição. Aqui, a dificuldade para deglutir pode estar ligada a causas orgânicas, como um distúrbio obstrutivo ou de natureza funcional. O desconforto do paciente é manifestado na parte central do peito. As causas mais comuns são estenose péptica, tumores do esôfago, divertículos e esofagite.

As causas funcionais podem ser primárias, como espasmo esofagiano e esôfago em britadeira ou, ainda, secundárias. Aqui, as mais recorrentes são a esclerose sistêmica progressiva, doença de Chagas e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico deve partir da doença de base. Para isso, é fundamental que o médico intensivista observe o histórico do paciente. Exames complementares, como videodeglutograma, podem ser solicitados, a fim de elucidar a causa.

Quando houver suspeita de disfagia esofagiana, uma endoscopia digestiva alta (EDA) pode ser útil, já que permite melhor visualização do esôfago. As medidas de contenção da disfagia precisam ser ágeis, para evitar a desnutrição – condição que retarda a melhora no estado clínico e aumenta o tempo de internação. A combinação de fatores é um importante vetor de comorbidades.

Além disso, pacientes traqueostomizados e idosos apresentam maior probabilidade de quadros de disfagia. Por isso, seu tratamento depende de uma abordagem multidisciplinar. A fonoaudiologia, por exemplo, reduz complicações e tempo de internação. Alguns serviços de saúde orientam uma avaliação fonoaudiológica preliminar em pacientes de UTI para prevenir quadros de disfagia.

Para saber mais sobre a conduta ideal do intensivista, conheça a Atualização Profissional desenvolvida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

Relação entre disfagia e Covid-19

A disfagia orofaríngea tem sido investigada como uma complicação da Covid-19, por conta da intubação prolongada. Os sintomas são os mesmos dos pacientes acometidos por outras doenças de base: tosses e engasgos durante a alimentação, dificuldade para engolir e alimento parado na boca.

No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os profissionais de saúde desenvolvem uma pesquisa com pacientes de Covid-19 para avaliar a probabilidade e desdobramentos da disfagia.

Depois de perceber que 20% deles (entre 2 mil analisados) eram de alto risco para condição, a Divisão de Fonoaudiologia do Instituto Central propôs um protocolo de cuidados. Segundo as orientações, todos os pacientes pós-intubação orotraqueal prolongada são encaminhados para avaliação fonoaudiológica. A medida ajuda a reduzir custos hospitalares e a reabilitar o paciente para a alimentação oral.

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