Reconhecimento da emergência pediátrica no Brasil amplia mercado de trabalho

  • outubro/2019
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emergência pediátrica

Apesar de a prática da medicina de emergência ser antiga no Brasil, apenas em 2015 foi reconhecida como especialidade na área da saúde. Simultaneamente, outras áreas se beneficiaram, como é o caso da emergência pediátrica. A aprovação da especialização da atenção ao paciente infantil aconteceu depois de uma reunião da Comissão Mista de Especialidades (CME), da qual fazem parte a Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

O reconhecimento da emergência pediátrica era uma reivindicação antiga da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e outras entidades médicas. Até então, a emergência integrava a área de atuação exclusiva da clínica médica. Na visão da SBP, isso impossibilitava a manutenção de um de um programa de residência na área, o que prejudicava a população, a pediatria, o ensino e a pesquisa.

Atualmente, a SBP também desenvolve uma atualização profissional em Emergência Pediátrica que auxilia os profissionais a se capacitarem.

Segundo um estudo conduzido por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a criação da residência em emergência pediátrica é um estímulo para a qualificação profissional, a formação de líderes e a qualificação da assistência nessa especialidade. O processo é semelhante ao do Canadá e dos Estados Unidos, onde o reconhecimento aconteceu em 1980 e 1991.

No Brasil, a CNRM concordou com o oferecimento de um terceiro ano opcional voltado à emergência em programas de residência em pediatria até 2002, quando especialidades e áreas de atuação foram unificadas. O quadro só foi modificado com a nova resolução, publicada em 2016, permitindo a abertura das residências em emergência pediátrica.

De acordo com a médica Patrícia Miranda Lago, chefe da emergência pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS), ainda é cedo para avaliar o impacto da especialização na área, mas a formação de emergencistas pediátricos é indispensável para melhorar o atendimento e a administração nos hospitais. “O fundamental é formar uma geração de emergencistas líderes, que trabalhem não só a assistência, mas também a ideia de gestão nas emergências”, destaca.

Programas de residência

Segundo Lago, na comparação com a demanda, o Brasil ainda carece de centros formadores de emergencistas residentes na pediatria. Atualmente, são 22 programas de residência credenciados. A expectativa é de expansão na oferta de programas e aumento do tempo da residência de um para dois anos.

A prioridade na qualificação profissional dos médicos é atender pacientes e famílias conforme a mudança de perfil de doenças nos últimos anos. Nesse sentido, os maiores desafios da pediatria nas próximas décadas, de 2020 a 2050, segundo artigo publicado pela Academia Americana de Pediatria, são os seguintes:

  • Gestação na adolescência;
  • Mortalidade perinatal;
  • Medicina de urgência;
  • Infecções;
  • Causas externas (acidentes, uso de álcool e outras drogas);
  • Doenças crônicas.

Tendo em vista esses desafios, os objetivos dos programas de residência em emergência pediátrica, segundo aprovado pelo CNRM, são os seguintes:

  • Aprofundar o conhecimento, as habilidades e as competências na área de urgência e emergência pediátrica nos seus diversos cenários;
  • Desenvolver a capacidade de geração de conhecimentos dentro de quatro componentes: habilidade clínica, pesquisa, educação e gestão;
  • Formação de líderes que possam influenciar e impactar no atendimento, gerenciamento e planejamento do setor, inclusive a liderança da equipe multiprofissional;
  • Formação de profissional apto a contribuir na geração de soluções alinhadas às necessidades de política de saúde de sua região.

Qualificação profissional

Apesar do curto espaço de tempo desde o reconhecimento da área de atuação da emergência pediátrica, muitos hospitais já estão buscando pessoas certificadas. “Em pediatria, é muito importante a rapidez no reconhecimento da doença e no início do tratamento. Há uma grande oportunidade no mercado de trabalho para profissionais com essas competências”, destaca Lago.

Em relação aos diagnósticos, os médicos que atuam em serviços de emergência devem ser qualificados para uma série de situações agudas em pediatria. De acordo com a chefe da emergência pediátrica do Hospital de Clínicas, as principais habilidades e competências dos pediatras emergencistas devem ser:

  • Reconhecimento de gravidade para implantação dos devidos protocolos;
  • Treinamento em triagem, a fim de estabelecer linhas de atendimento de urgência;
  • Excelência na assistência;
  • Treinamento em gestão de emergência, com priorização de fluxos;
  • Ecografia à beira do leito;
  • Treinamento em transporte e sala vermelha.

Além disso, é importante que o profissional de emergência pediátrica também tenha os seguintes conhecimentos:

  • Auxílio no atendimento de pacientes com necessidades específicas e dependentes de tecnologia;
  • Capacidade de autonomia e liderança;
  • Capacidade de gerenciamento dos processos administrativos da unidade (gestão de custos, alocação de recursos humanos, fluxos) e a relação com as redes de saúde municipal e estadual;
  • Participação na implantação de ferramentas de gestão (protocolos assistenciais, indicadores de qualidade);
  • Conhecer as prioridades e políticas de saúde com ênfase na área de urgência e emergência pediátrica.

Aproveite para baixar um artigo da atualização em Emergência Pediátrica desenvolvida pela SBP. É só clicar no banner abaixo:

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