Novembro Azul: quando deve ocorrer o rastreamento do câncer de próstata

  • novembro/2021
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Diferentemente da descoberta a partir do diagnóstico sintomático, confirmado com exames, o rastreamento do câncer de próstata também pode ser realizado em pessoas sem sinais ou sintomas aparentes. No entanto, há divergências sobre a questão. Enquanto o Instituto Nacional de Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, não recomenda o rastreamento, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aborda uma orientação diversa.

Conforme o Inca, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os brasileiros, depois do câncer de pele não melanoma. O principal fator é relacionado à faixa etária elevada – isso porque a neoplasia é considerada um câncer da terceira idade, com 75% de sua prevalência afetando homens acima de 65 anos. Estima-se que, apenas em 2020, quase 70 mil novos casos foram registrados no Brasil. E em 2019 o Atlas de Mortalidade por Câncer calculou cerca de 16 mil óbitos pela doença.

Nesse contexto, a SBU recomenda o rastreio do câncer de próstata. O procedimento deve ser feito pelo exame de toque retal e por exame de sangue, para avaliar a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA). As testagens, vale lembrar, são indicadas para homens com idade entre 50 e 74 anos.

Embora a comunidade médica vinculada à urologia se preocupe com o sobrediagnóstico e a eventual indução a tratamentos excessivos, a SBU baseia-se em estudos conduzidos pela Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) entre 2017 e 2018 para suas determinações.

Orientações do Inca

Conforme as diretrizes da USPSTF, tanto urologistas quanto não especialistas devem apresentar aos pacientes os potenciais riscos e benefícios do rastreamento. Ainda que não exista proibição, o Ministério da Saúde e o Inca não recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos. A alegação é de que não existe evidência científica de haver mais benefícios do que riscos. Em material de apoio com a finalidade de orientar homens sobre o rastreamento, o Inca comunica os possíveis benefícios e malefícios da investigação. Acompanhe:

Benefícios:

  • Os exames são simples de realizar;
  • Ajudam no diagnóstico de sintomas iniciais;
  • Quanto mais cedo for o diagnóstico, mais fácil será o tratamento.

Malefícios:

  • O resultado do PSA pode ser elevado mesmo quando o paciente não tem câncer de próstata;
  • Níveis elevados de PSA vão indicar a necessidade de biópsia;
  • A biópsia pode causar complicações: ansiedade, sangramento, infecção, incontinência urinária e impotência sexual.

Orientações da SBU

Em posicionamento oficial, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC) e a SBU reforçam as conclusões da USPSTF. O documento relata a possibilidade de os programas de rastreamento, baseados na medida do PSA, evitarem duas mortes por câncer de próstata a cada mil homens testados. Da mesma forma, afirma que o rastreamento pode prevenir cerca de três casos da doença em fase de metástase a cada mil homens avaliados.

Por outro lado, os malefícios não podem ser ignorados – incluindo resultados falso-positivos. Portanto, é fundamental que os pacientes estejam orientados sobre os danos originários de tratamentos equivocados ou desnecessários. Alguns dos eventuais problemas são:

  • Infecções;
  • Sangramentos;
  • Disfunção erétil;
  • Incontinência urinária;
  • Sintomas intestinais.

Entre as consequências negativas do rastreamento estão, inclusive, tratamentos cirúrgicos pela prostatectomia. A SBPC e a SBU consideram que 20% dos homens submetidos à prostatectomia radical desenvolvem incontinência urinária e que dois em cada três pacientes apresentaram disfunção erétil em longo prazo. Por isso, a decisão de submeter-se ao rastreamento deve ser individual, e só depois que todas as dúvidas forem sanadas.

“Ao determinar se o exame é apropriado em casos individuais, os pacientes e médicos devem considerar o equilíbrio de benefícios e danos com base na história familiar, raça/etnia, condições médicas e comorbidades”, afirma o texto da SBPC e da SBU.

Novembro Azul: mês de conscientização

Criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em 2011, a Campanha Novembro Azul entrou de vez na agenda nacional. Aqui, tanto o Inca quanto a SBU convergem num ponto: além da conscientização sobre o câncer de próstata, a importância de informar os pacientes sobre os malefícios do rastreamento. A ideia, além disso, é alertar homens a partir dos 50 anos a ficarem atentos aos fatores de risco da neoplasia. São eles:

  • Idade: o risco aumenta com o passar dos anos. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos.
  • Histórico familiar: homens cujo pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos devem ficar atentos, já que fatores genéticos e hereditários podem influenciar no surgimento da doença.
  • Sobrepeso e obesidade: de acordo com o Inca, homens com o peso corporal elevado correm mais riscos de manifestar esse tipo de câncer. Daí a importância de adotar hábitos saudáveis, como alimentação adequada e prática regular de exercícios físicos.

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