Como utilizar a telemedicina na pandemia do novo coronavírus

  • abril/2020
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telemedicina no brasil

Diante da pandemia do novo coronavírus, novamente a telemedicina foi colocada à prova no Brasil. Depois de a modalidade ter ficado no centro de uma série de polêmicas em 2019, o Ministérios da Saúde autorizou o seu uso para atendimentos à população, contando inclusive com o aval do Conselho Federal de Medicina (CFM).

A medida foi anunciada no fim de março, em caráter emergencial, e permanece válida enquanto persistir a determinação de isolamento social. Sendo assim, a edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU) justifica a estratégia para “reduzir a propagação da Covid-19 e proteger as pessoas”.

Antes da flexibilização nos atendimentos, apenas profissionais de saúde podiam utilizar os serviços de telemedicina – a fim de obter aconselhamento clínico. No entanto, agora estão liberados também o atendimento pré-clínico, assistencial, consultas, monitoramentos e diagnósticos.

Tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto planos e seguros privados estão autorizadas a realizar teleconsultas. Além disso, atestados e prescrições médicas ficam disponíveis por meio virtual, desde que o profissional responsável tenha assinatura digital.

Como utilizar a telemedicina

Como o isolamento social é a principal estratégia para evitar o contágio, a telemedicina acaba sendo a única alternativa em muitos cenários no Brasil. Isso inclui desde o monitoramento de pacientes com suspeita de coronavírus até o acompanhamento de pessoas em isolamento domiciliar. Segundo o Ministério da Saúde, toda a gama de especialidades médicas está autorizada a prestar a teleconsulta.

Os atendimentos podem ser feitos por meio de telefone, computador ou tablet. Cabe ao médico e ao paciente acordarem sobre o meio em que a consulta será realizada. Por telefone, no entanto, a falta de visualização do paciente requer do médico maior sensibilidade e uma anamnese ainda mais apurada.

Mesmo diante do contexto de exceção, o profissional de saúde precisa atender a alguns itens normativos da prática:

  • Garantir a segurança dos dados do paciente;
  • Preencher, obrigatoriamente, o prontuário eletrônico do paciente;
  • Em situações suspeitas de coronavírus, observar as normas e orientações do Ministério da Saúde sobre notificação compulsória, em especial aquelas listadas no Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus (Covid-19).

Casos bem-sucedidos

Desde os primeiros casos do novo coronavírus no Brasil, em fevereiro, o Ministério da Saúde mantém equipes de vigilância que telefonam para os pacientes diariamente. O objetivo é acompanhar a evolução de pessoas com suspeita e com confirmação da doença.

Em março, quando se estabeleceu o surto no país e a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia, médicos de todos os estados começaram a trocar informações sobre as melhores práticas e estratégias. Com base no que há de mais atual na literatura científica, os serviços que oferecem apoio virtual registraram aumentos de até 80% nos atendimentos.

É o caso do TelessaudeRS-UFRGS. A iniciativa, ligada a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolve estratégias de saúde a distância no âmbito da atenção primária desde 2007. Diante da pandemia, foram contratados seis médicos para auxiliar no aumento das demandas. “O TelessaúdeRS-UFRGS ampliou sua capacidade de atendimento através de parcerias com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e a Faculdade de Medicina da Universidade, com voluntários dos diversos programas de residência médica e alunos de graduação”, explica o médico Marcelo Gonçalves, vice-coordenador do TelessaúdeRS-UFRGS.

Além de apoiar o telemonitoramento de pacientes em parceria com a Secretaria de Saúde de Porto Alegre, o TelessaúdeRS-UFRGS oferece orientação a médicos, enfermeiros e dentistas de todo o Brasil. “Estamos esclarecendo dúvidas relativas à Covid-19, protocolos clínicos e fluxos dentro do sistema de saúde, além de toda a manutenção das discussões clínicas para os demais problemas de saúde que chegam nas unidades básicas – como hipertensão, diabetes e doenças de pele”, explica Gonçalves.

Perspectivas na rede privada

A rede privada também adotou a telemedicina como alternativa para conter a pandemia. Por meio da teleconsulta, o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, identifica os casos suspeitos e desloca um profissional até a casa do paciente, onde são coletados materiais para testes. Sendo assim, em casos positivos, as equipes passam a monitorar o paciente através de chamadas de vídeo.

Outra inovação do Albert Einstein é o serviço de TeleUTI. Para aquelas unidades de medicina intensiva onde há falta de especialistas (por conta da crise), o hospital disponibiliza um médico para ficar em contato com a equipe local. A partir daí, esse profissional orienta quanto ao melhor tratamento a seguir.

Apesar da gravidade do contexto atual, Marcelo Gonçalves diz que as perspectivas em relação à telemedicina no Brasil são positivas. Especialista em medicina de família e comunidade, o médico considera promissoras as mudanças referentes ao teleatendimento, ao telemonitoramento e à possibilidade de contato direto entre profissionais de saúde e pacientes pelas ferramentas de atendimento a distância. “O TelessaúdeRS, assim como todo o sistema de saúde, tende a sair fortalecido desse período de incertezas, o que será um ganho significativo para toda a sociedade”, completa.

Redação Secad
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