Desmistificando a depressão pós-parto: como a terapia pode auxiliar

  • outubro/2017
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depressão pós-parto

Da descoberta da gravidez à chegada do bebê, a mãe enfrenta um período marcado por mudanças e ressignificações. O próprio ritmo do trabalho, das tarefas diárias e dos compromissos pessoais passa por reajustes de duração e de espaço. Agora, some tudo isso às transformações biológicas que a mulher enfrenta, como taxas hormonais oscilantes e alterações no corpo. É uma nova vida, certo? Em alguns casos, 40 semanas não é tempo suficiente para se acostumar.

A maternidade pode agir como um estressor psicossocial, favorecendo a ocorrência de perturbações na saúde mental. Embora haja na cultura ocidental um apelo extremo à maternidade como uma dádiva, nenhuma mãe que sofre com depressão pós-parto (DPP) pode ser considerada “desumana” ou “incapaz”. Cabe à família e aos amigos não apenas auxiliar nos cuidados do recém-nascido como encorajá-la a lutar contra a doença, apoiando a busca por auxílio psicológico.

No consultório, a combinação de alguns fatores costuma indicar um quadro de depressão pós-parto com certa facilidade. Entre eles, flutuações de humor, preocupações exageradas com o bem-estar do bebê e com a própria competência e medo de ficar sozinha com o filho. Além disso, outras evidências aparecem associadas à sintomatologia depressiva; a ideias obsessivas (pensamentos sobre fazer mal ao bebê, relatados por cerca de 20% a 40% das mães); à dificuldade em estabelecer ligação com o filho; e à diminuição do desejo sexual pelo companheiro.

Conheça a atualização em Terapia Cognitivo-Comportamental desenvolvida pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC)

As opções de tratamento incluem terapia farmacológica e psicoterapia, que pode ser individual ou em grupo. Os tratamentos podem ser isolados ou combinados; a depender do grau de DPP apresentado. A psicoterapia é a melhor alternativa em casos que vão de leve a moderado. Já a terapia farmacológica, com inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS), é indicada para casos de depressão moderada-grave ou quando não há resposta à psicoterapia. A utilização combinada das terapias se reserva aos casos de DPP moderada a grave.

Durante as sessões do tratamento psicoterápico, a paciente deverá encontrar no consultório um espaço de acolhida, onde ela possa falar sem receio algum de julgamento pelo que sente, pensa ou fala. A terapia cognitivo comportamental (TCC) é uma das metodologias que melhor apresentam resultado. Focada na identificação e na modificação de padrões de pensamentos disfuncionais, a TCC trabalha crenças popularmente difundidas associadas à maternidade, além do impacto da gravidez e do nascimento de um filho na vida da mulher. Além disso, ela envolve o contexto de relações interpessoais que vão do ambiente de trabalho a novos relacionamentos afetivos.

Entre as técnicas mais comuns utilizadas na TCC para a DPP aparecem:

  • Psicoeducação: informação sobre os fatores envolvidos na origem e na manutenção da sintomatologia depressiva e sobre os princípios básicos da TCC;
  • Restruturação cognitiva: identificação, avaliação e modificação de cognições negativas disfuncionais (gerais ou relacionadas às temáticas específicas da maternidade, por meio do uso de técnicas, como a análise lógica das evidências);
  • Treino de resolução de problemas;
  • Treino de competências de comunicação.

Todas essas ações podem, ainda, serem coordenadas por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais que prestam assistência à mulher no período perinatal. Com uma abordagem sistêmica, a recuperação do bem-estar e da saúde da mulher tende a apresentar resultados de maneira ainda mais rápida.

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