Conheça os medicamentos à base de canabidiol disponíveis no Brasil

  • outubro/2020
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canabidiol

Um dos princípios ativos da maconha com potencial medicinal, o canabidiol (CBD) passa por uma fase de amplo reconhecimento da ciência. Após décadas no centro de polêmicas, a substância finalmente pode considerada um medicamento com múltiplas aplicações. Nesse contexto, o Brasil é destaque como um dos países a liderar a produção científica sobe o derivado da cannabis sativa.

A Universidade de São Paulo (USP) conta com quatro pesquisadores entre os dez mais produtivos do mundo sobre o tema. A instituição é responsável, também, pelo desenvolvimento de um fitofármaco à base de canabidiol. O medicamento foi aprovado em maio pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso compassivo no tratamento de diversas doenças. A venda é restrita ao receituário tipo B (azul).

Professor no Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP-USP), Rafael Guimarães dos Santos revela otimismo em relação ao panorama atual. “Mudou muito [a percepção], porque antes o CBD dificilmente era desvinculado da maconha. Ainda é atrelado em alguns círculos, mas de forma geral o canabidiol é visto como um medicamento. Hoje, o principal desafio são os recursos para pesquisa, não o preconceito”, comenta.

Os medicamentos desenvolvidos a partir da maconha isolam os canabinoides de interesse para cada aplicação. Nos fármacos produzidos a partir do canabidiol não está presente o psicoativo tetrahidrocanabinol (THC).

Aprovação do canabidiol no Brasil

O Ministério da Saúde estuda incluir o medicamento produzido pela USP – que tem parceria do laboratório Prati-Donaduzzi – no Sistema Único de Saúde (SUS). O fitofármaco é um extrato purificado não sintético. Ou seja, é uma mistura de CBD puro, extraído de plantas de maconha importadas da Europa. No Brasil, é vedado o cultivo de maconha mesmo para fins terapêuticos.

Outro medicamento à base de canabidiol já aprovado pela Anvisa é o Mevatyl. Produzido pela empresa britânica GW Pharma, o remédio deve ser distribuído gratuitamente para pacientes com esclerose múltipla – desde que indicado de forma compassiva, depois que todas as alternativas convencionais de tratamento não tenham apresentado resposta.

O avanço da aprovação desses medicamentos no Brasil não se deve apenas à prolífica produção científica em torno do canabidiol. Em 2015, a Anvisa retirou o componente da cannabis da lista de substâncias proibidas. A partir das evidências de sua eficácia diante do tratamento de doenças como epilepsia, esquizofrenia e fobia social, a autarquia passou a categorizar o canabidiol como substância controlada.

Potencial medicinal do canabidiol

O canabidiol é apontado como substância potencialmente eficaz no tratamento da epilepsia refratária. Isso porque o CBD é capaz de controlar as descargas de neurotransmissores e, com isso, reduzir crises convulsivas tanto em número quanto em intensidade.

Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que três quartos das pessoas que vivem com epilepsia em países de baixa renda não recebem o tratamento adequado – o que acelera a morte prematura. A lacuna, em longo prazo, poderia ser suprida com medicamentos à base de canabidiol.

Nos Estados Unidos, a Food and Drugs Administration (FDA) aprovou, em 2018, o medicamento Epidiolex. O fármaco à base da canabidiol foi desenvolvido para o tratamento de epilepsia grave em crianças.

O potencial medicinal da substância também tem impacto econômico. Exemplo disso é a Entourage Phytolab, primeira startup brasileira a atuar em pesquisas com o canabidiol. A empresa já captou mais de US$ 7 milhões para o desenvolvimento de um medicamento para epilepsia. Os estudos clínicos ainda estão em fase I, mas a empresa planeja ampliar sua estrutura para, em breve, submeter o fármaco à avaliação da Anvisa.

Desafios da indústria

Rafael Santos, da USP, explica que a corrida para a produção de remédios à base de canabidiol tem forte concorrência entre grupos acadêmicos e indústria farmacêutica. “Trata-se de uma substância com baixa biodisponibilidade. As doses precisam ter de 300 a 1.000 miligramas, porque ele é pouco absorvido”, comenta.

Pesquisadores tentam encontrar soluções sintéticas ou associar o canabidiol a outras substâncias capazes de potencializar sua absorção. “Por isso, é importante atentar para a preparação de extratos caseiros. Não há uma padronização, e o produto pode conter muito THC, o que gera complicações graves em crianças, por exemplo”, completa.

Quer saber mais sobre o assunto? Então, ouça agora o novo episódio do Papo Secad com o professor Rafael Guimarães do Santos. Ele explica como são extraídas as substâncias, quais os principais medicamentos, seus usos terapêuticos e as evidências sobre o uso para fins medicinais. Escolha sua plataforma favorita:

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