Trombose e Covid-19: entenda qual é a relação

  • junho/2020
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trombose e covid-19

Conforme a Covid-19 agrava o quadro do paciente infectado por coronavírus, novos sintomas se somam àqueles já conhecidos. Além da síndrome respiratória aguda, que afeta o pulmão, muitos pacientes apresentam problemas neurológicos, renais e até mesmo hematológicos. Nesse contexto, a trombose atrelada à Covid-19 vem se tornando uma complicação recorrente em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Embora apresentem baixas taxas de oxigênio no sangue, alguns indivíduos não alegam desconforto respiratório. Isso acontece porque os pulmões funcionam normalmente. O detalhe é que a infecção por coronavírus pode levar à coagulação em vasos mais finos, justamente na extremidade dos alvéolos – o que leva à sua oxigenação inadequada.

A descoberta foi possível graças à identificação de altos níveis de dímero-D nos pacientes graves de Covid-19. A substância é produto de degradação da fibrina. Logo, sua dosagem, em avaliação laboratorial, pode indicar processos como trombose venosa, tromboembolismo pulmonar e sepse.

Anticoagulantes eficazes

Entre fevereiro e março, o Journal of Thrombosis and Hemosthasis publicou quatro estudos abordando a complexa (e ainda pouco compreendida) relação entre a Covid‐19 e a trombose. Sabe-se, por enquanto, que pacientes graves são induzidos a uma tempestade de citocinas, condição que leva à ativação da cascata de coagulação e causa fenômenos trombóticos.

Uma das maiores preocupações dessa ligação entre trombose e Covid-19 diz respeito à identificação de uma forte ligação entre parâmetros anormais de coagulação (produtos de degradação do dímero D e fibrina) e mortalidade. Um dos estudos, inclusive, é brasileiro. A primeira médica a constatar um caso de coagulação irregular vinculado à Covid-19 no país foi a pneumologista Elnara Marcia Negri, do Hospital Sírio Libanês e da Universidade de São Paulo (USP).

Ao atender sua primeira paciente grave com a doença, a médica observou que, além dos problemas respiratórios, um dos dedos do pé apresentava problemas circulatórios. Ao mesmo tempo em que o pé começou a ficar com tonalidade arroxeada, houve uma abrupta queda na oxigenação.

Sendo assim, para evitar complicações, Negri indicou a ingestão do anticoagulante Heparina. Em pouco tempo a paciente recobrou a respiração e o dedo voltou à cor normal. A partir daí, a pesquisadora deu início a um estudo preliminar com pacientes do Sírio Libanês.

Diante disso, o resultado foi publicado em um artigo registrando que, dos 27 pacientes analisados no estudo preliminar, 24 haviam sido curados. A revista Science classificou a descoberta como a “a mais alta taxa de recuperação já vista desde o começo da pandemia”.

Mais estudos sobre trombose e Covid-19

Cientistas do Hospital Universitário de Padova, na Itália, também analisaram a reação entre hipercoagulabilidade e Covid-19 com testes de Heparina. No caso, o medicamento foi relacionado à redução dos tempos de intubação e de internação intensiva em casos graves.

Outro estudo da USP, desenvolvido em parceria com pesquisadores europeus, surpreendeu a comunidade científica ao encontrar um possível novo mecanismo de ação da Heparina. Além de combater a coagulação, a substância se mostrou capaz de dificultar a entrada do novo coronavírus nas células. O teste, no entanto, foi realizado em laboratório a partir do rim de macacos verdes africanos. No animal, o estudo demonstrou redução de 70% na invasão do vírus em células saudáveis.

Redação Secad
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